Posts de Maio, 2007

O fim da falta de fôlego

Maio 30, 2007

A FIFA proibiu a realização de jogos oficiais em lugares com altitude superior a 2500 metros. Isto quer dizer, a princípio, que clubes e países provenientes de lugares altos(Como Bolívia e Equador) não poderão mais tirar proveito da vantagem de jogarem em melhores condições físicas do que seus adversários.

O leitor mais leigo deve estar se questionando porque os países-sede de lugares altos levam vantagem em relação aos seus adversários. A questão é que em altitudes muito elevadas, o ar se torna mais rarefeito, tornando o oxigênio mais difícil de ser respirado. Apenas os jogadores do país-sede(com seus organismos mais acostumados ao ar rarefeito) conseguiam jogar normalmente. Os visitantes precisavam penar com a falta de ar em pleno jogo.

A decisão da FIFA vem causando muita polêmica. Alguns jornalistas esportivos argumentam que a altitude não é o único fator a prejudicar o time visitante em um jogo… Foram realizados, por exemplo, jogos ao meio dia na Copa de 1994, e os times europeus foram vastamente prejudicados com isto. Também há os jogos no extremo frio, que também prejudicam os times visitantes.

Mas há um outro ponto de vista que não é considerado pelos críticos. A Bolívia, por exemplo, colocava os jogos de Eliminatórias em La Paz, onde a altitude é de aproximadamente 3600 metros. Se não houvesse um lugar menos alto na Bolívia, seria até justificável a escolha. Mas a Bolívia também tem Santa Cruz de La Sierra, onde a altitude é de apenas 473 metros. Porque não jogar em Santa Cruz de La Sierra? Porque a Bolívia não pode se aproveitar do fator Fôlego em relação a seus adversários. Sob este ponto de vista, a proibição da FIFA é perfeitamente aceitável, pois colocar jogos em altitudes elevadas de propósito é uma extrema covardia.

Desta polêmica, apenas uma coisa é fato consumado: Equador e Bolívia terão que penar muito mais para se classificarem para as Copas do Mundo. Esta então nem se fala, já que nem com a altitude conseguia se classificar.

Fim do luxo

Jogador Boliviano comemora a vitória em cima do Brasil por 3×1, em La Paz, nas eliminatórias para a copa de 2002. Acabou o luxo de jogar na altitude

A musiquinha da Vitória

Maio 22, 2007

Pã pã pããããã! Pã pã pããããã!

Qual foi o brasileiro que nunca se emocionou com o tema da vitória? Aquela musiquinha, que tocava “quando o Senna ganhava”… E que quando começou a tocar para o Rubinho, despertou a ira de muitos fãs alucinados que defendiam que a música era apenas do Senna.

No post de hoje, resolvi contar a história do “Tema da vitória”. Criado pelo compositor Eduardo Souto Neto, o “pã pã pã” estreou na F1 no GP do Brasil de 1983, com a vitória de Nelson Piquet. Apesar de Piquet ser brasileiro, o tema da vitória foi criado inicialmente para o GP do Brasil e tocava ao final de cada corrida em solo brasileiro, independente da nacionalidade do vencedor(Acredite, já tocou até para o Prost! Isto foi no GP do Brasil de 1984). E ficou assim até meados de 1986. Isto significa(acredite se quiser) que as 3 primeiras vitórias de Senna na F1(Portugal[Estoril]-1985, Bélgica[Spa-Francorschamps]-1985 e Espanha[Jerez]-1986) não foram recheadas com o tema da vitória.

A Rede Globo resolveu mudar isto a partir do GP de Detroit(EUA) de 1986. Isto ocorreu após a derrota da seleção brasileira para a França, na Copa do Mundo, quando o país desabou em tristeza. Quando Senna cruzou a linha de chegada em primeiro em Detroit, um torcedor lhe entregou uma bandeira do Brasil. E Ayrton agitou-a, ao som do Tema da Vitória, para a emoção de milhões de fãs no Brasil. A partir daí, o tema começou a ser tocado para os pilotos brasileiros quando estes venciam, independente do GP. E assim foi para 9 vitórias de Piquet e para 37 de Senna(Além destas 37 ocasiões, tocou também no GP do Japão de 1989, em que Senna ganhou mas foi desclassificado, e no GP do Japão de 1991, quando Ayrton chegou em segundo mas assegurou o título).

O último “pã pã pã” para Ayrton Senna foi no GP da Austrália de 1993, sua última vitória. 7 longos anos se passaram e a musiquinha voltou com a emocionante e dramática vitória de Rubinho no GP da Alemanha de 2000, que fez o país chorar de emoção. Além desta corrida, a música tocou para Rubinho outras 8 vezes.

Atualmente, o tema da vitória tem um novo protagonista: Felipe Massa. O brasileiro acumula 4 vitórias até agora(Turquia-2006, Brasil-2006, Bahrain-2007 e Espanha-2007). A próxima corrida é em Mônaco, onde Senna venceu em 6 ocasiões.

Será que vai ter “pã pã pã” em Mônaco também? É esperar para ver! =D

Senna, após a vitória no GP de Mônaco de 1992, depois de um duelo emocionante com Mansell

O cometa Hamilton

Maio 17, 2007

A temporada de 2007 da Fórmula 1 está realmente quente. Felipe Massa, com sua segunda vitória na Espanha, se tornou o piloto com o maior número de vitórias nesta temporada. Ele tem duas, contra uma de Alonso e outra de Kimi Raikkonen. Você pode se perguntar: – Qual deles é o lider do campeonato? A resposta é: Nenhum deles.

O desempenho do novato Lewis Hamilton, na Mclaren, está sendo realmente surpreendente. O inglês, com um terceiro lugar e 3 segundos lugares, já se tornou o líder isolado do campeonato, na frente até do bicampeão Fernando Alonso, que pilota exatamente um carro da mesma scuderia. Para um estreante, é um resultado fenomenal. E mesmo se Hamilton não fosse estreante, andar na frente do melhor piloto da atualidade é realmente impressionante.

De novato e inexperiente, Lewis se tornou um forte candidato ao título de 2007. Ele tem 30 pontos, contra 28 de Alonso, 27 de Massa e 22 de Raikkonen. Com o resultado na Espanha, se tornou o mais jovem líder de uma temporada de F1, recorde que pertencia a Bruce Mclaren, um grande piloto dos anos 60.

Confesso que fico pensando no que se passa na cabeça de Alonso: Se Hamilton for campeão já neste ano, roubará de Alonso não só o tri-campeonato, como também o recorde de mais jovem campeão, que Alonso conquistou em 2005, aos 24 anos de idade. Lewis tem 22.

É claro que Fernando ainda é o favorito a primeiro piloto na Mclaren, mas Hamilton é uma forte ameaça. E como.

Questão de Gosto

Maio 11, 2007

Quem estuda Computação(Ciência ou Engenharia), já deve ter se deparado várias vezes com um grupinho de nerds discutindo sobre qual é a melhor linguagem de programação a ser usada. “Java é a melhor porque tem um nível de abstração mais alto que as outras linguagens”, “Prefiro C porque é mais rápido de compilar do que as linguagens de mais alto nível”, “Não existe linguagem como C++! Pode ser orientada a objeto e médio nível ao mesmo tempo!”, ou “Python é a melhor de todas porque é mais prática de usar, tem tipagem dinâmica, orientação a objeto e não sei o que mais…”.

Discussões como esta nunca tem fim, mas são interessantes por nos dar mais conhecimento sobre cada linguagem e cada recurso. E quais os motivos que levariam alguém a preferir uma linguagem “x” a uma linguagem “y”? Talvez porque o rendimento de “x” é melhor do que o de “y”, e se precisa de um programa cuja prioridade seja a eficiência… E o contrário? Vai ver “y” tem bem mais recursos do que “x”, e se precisa de um programa muito bem elaborado, mesmo que não tenha uma execução muito rápida… E a discussão continua.

De fato, uma linguagem não pode ser boa em todos os aspectos, e daí vem a instiga para as discussões. No entanto, defendo um outro ponto de vista sobre as opiniões de qual é a melhor linguagem. Não é simplesmente uma questão de que “em tal aspecto a linguagem x é melhor do que a linguagem y”, e sim é uma questão de gosto. O programador que acha a linguagem “x” melhor tem esta opinião porque gosta mais de “x”.

Vou ainda mais além: Mais do que uma questão de gosto, é uma questão de costume. Pode ter certeza de que o programador que acha Java melhor do que as outras linguagens é mais acostumado com Java, e a conhece melhor. O mesmo se aplica com os programadores de C, C++, Python e das outras linguagens. No meu caso em particular, sempre fui acostumado a programar em C para resolver problemas de competição de programação, e em ferramentas baseadas em C para desenvolver outros trabalhos. Descobri o Java através do Java Compiler(ou JavaCC), e estou achando uma maravilha. Quando precisar programar em Python, provavelmente acharei o mesmo desta.

Portanto, caro leitor(ou seria caro programador?) qual é a melhor linguagem de programação? É aquela com a qual você é mais acostumado. =D