Semana retrasada, um colega meu recebeu a prova de uma disciplina da faculdade, e observou um fato interessante: Aparentemente havia escrito a resposta certa em uma das questões, de acordo com o livro que o professor havia indicado à turma, e o professor havia lhe dado apenas a metade da pontuação da questão. Desconfiado da pontuação, meu colega foi checar no livro se a sua resposta batia com o que o livro dizia. E constou que sim, sua resposta estava mesmo certa. Sem hesitar, uma semana depois, ele foi atrás do professor para pedir que ele olhasse a questão novamente. O professor hesitou e não quis dar a pontuação máxima. Aí meu colega lhe provou que, de acordo com o livro, a resposta estava certa. Acuado, o professor simplesmente falou que o livro estava errado e não queria dar os pontos.
Errar é humano, e como todo ser humano, um professor também tem o direito de errar. Assim como o autor do livro tem o direito de cometer seus deslizes de vez em quando, e até aí, nada mal. Mas, do mesmo modo, todos devem ter a humildade de admitir que erraram. E este professor estava dando a disciplina pela primeira vez em sua vida. Além disso, o livro era aquele que ele tinha dito ser o melhor, e baseado no qual ele preparava as suas aulas e extraía o seu conhecimento. Que moral, então, ele tinha para dizer que o livro estava errado? Qual era problema de se admitir um erro?
Tudo isto só nos leva a crer uma coisa: Este professor é extremamente inseguro e não se garante na disciplina. Sua teimosia em não admitir o erro era uma forte evidência. E o fato de ele se irritar e alegar que meu colega estava fazendo pouco caso do seu trabalho como professor, foi o arremate final para a minha opinião. Não só o professor não se garante, como ele sabe que não se garante, e quer fazer valer o seu ponto de vista(diversas vezes errado e confuso) na marra. Admitir que errou, para ele, significava perder o controle da situação como professor.
Ora, se você é um professor e não se garante na disciplina, não se atreva a ensiná-la. Se você é obrigado a dar a tal disciplina não dominada, então cobre num nível que você se garanta. Querer fazer valer o seu ponto de vista na marra para mostrar que tem moral só causa mais desconfiança e revolta por parte dos alunos.
Há saídas muito mais elegantes para esta situação. A primeira sugestão, a mais simples, seria o professor simplesmente dizer: – Ah, desculpa, me confundi com a pontuação, mas posso ajeitá-la. A segunda poderia ser: “Ih, caramba, nem percebi que eu troquei as bolas, ó? É isto mesmo, vou ajeitar a sua nota”. Se ele estivesse realmente certo, ou não quisesse admitir o erro, poderia dizer: “Eu discordo do que o livro fala, mas como eu passei esta bibliografia, vou te dar os pontos”. Ou, se a arrogância estivesse difícil de controlar, ele poderia disparar: “O livro ESTÁ errado, mas eu passei esta bibliografia e vou te dar os pontos”. Portanto, o seu grande pecado foi não dar os pontos ao meu colega.
Para finalizar, o professor que é cabeça dura, inflexível, não está aberto para novas idéias, e posa de sabidão, só tem um único sentimento: A insegurança.