Ah, a infância, um astro cintilante, um sorriso da alvorada… Ah, a adolescência, o zênite, o esplendor, a primavera…
O trecho é uma adaptação das definições de Cecília Meireles sobre duas fases muito festejadas: a Infância e a Adolescência. A elas se juntam a fase adulta e a velhice, para completar as épocas da vida de um ser humano.
Que idade você tem? 70 anos? Se sim ou tiver perto, você já deve ter dito(ou pensado) várias vezes: – Bom mesmo era quando eu tinha meus 30 e poucos anos, pois eu ainda tinha muita vitalidade e muito o que conquistar e fazer. Ou então, se você tiver filhos: “Bom mesmo era quando Joãozinho era criança, era nenê… Ô tempo bom… Hoje em dia cresceu e nem mora mais comigo!”. Ok, então faça uma reflexão e procure voltar no tempo… Incorpore por alguns minutos o seu estado de espírito aos 30 anos. Force um pouco a memória e você também irá lembrar de pensamentos como: “Ah, meus 15 anos… Meus encantos, aspirações e desejos ardentes estavam no auge, meu fascínio com a vida era incrível… Como era boa aquela época!”. Aí você incorpora os seus 15 anos. Desce uma lágrima dos seus olhos quando você lembra de algumas queixas como: “Eu quero ser criança de novo! Tenho tanta saudade de quando eu assistia ‘Os Jetsons’ e não tinha que estudar Química! É muito chato ser adolescente!”.
O ser humano, internamente, nunca está satisfeito com o que está vivenciando. A época anterior de nossas vidas, seja ela qual for, sempre foi bem melhor do que a atual, e a época de agora sempre é um mar de stress e dificuldade. Se estamos felizes, a felicidade que sentimos agora não é tão grande quanto a que sentíamos.
Minha extrema infância foi a segunda metade dos anos 80, quando os bonecos e bonecas da Estrela estavam no auge… Me lembro até da musiquinha da propaganda:
“Todo o segredo de um brinquedo vive na nossa emoção.
Toda criança tem uma Estrela dentro do coração
A Estrela estrelando, brincando com a gente
E a gente brincando Feliz”
A propaganda da Estrela foi uma das mais geniais que já vi. Daquelas que deixam qualquer criança hipnotizada. Nunca cheguei a ser um fã incondicional dos brinquedos da Estrela, mas a sua propaganda é um dos símbolos da minha infância.
Ok, voltemos ao assunto. Tenho pouco tempo de vida percorrido, mas posso dar o meu testemunho sobre 3 fases da vida: Infância, Adolescência e início da fase adulta. Na infância, estamos no auge da inocência, da pureza, do fascínio. Qualquer brinquedinho colorido ou desenho animado nos deixa em estado alfa. Temos pouca responsabilidade e podemos usufruir ao máximo do nosso videogame. Quando vamos entrando na fase de adolescência, vai se desprendendo um leão dentro de nós. Um leão que nos faz querer abraçar o mundo com as pernas e ser mais do que o que realmente somos. Os olhares femininos, os namoros e as amizades com as garotas passam a nos deixar na plenitude do encanto e da autoconfiança. Superestimamos os momentos bons e os momentos ruins. Assim, os momentos bons são mágicos. E os momentos ruins, infernais. Temos um pouco mais de responsabilidade e somos o tempo todo alertados de que estamos chegando em uma fase dificílima e de muito mais responsabilidade, o que nos deixa muitíssimo inseguros. Com toda a insegurança, e aparentemente levando a vida sem a menor responsabilidade, vem a fase adulta. Nesta fase, paramos de superestimar os momentos. As dificuldades são maiores, mas temos dentro de nós uma couraça tão forte que nem ficamos muito inseguros. Os momentos bons não são tão mágicos, e os momentos ruins não são tão infernais. Acabam ficando corriqueiros. Assim, nossas emoções são mais estáveis do que na adolescência. O conservadorismo vai ganhando força e nós vamos amadurecendo.
A conclusão é que não há uma época de nossas vidas melhor do que a outra. Todas tem as suas vantagens e suas desvantagens. Se você sente saudade do que viveu, não se desespere, isto é ótimo. Significa que você foi feliz. E tenha certeza de que no futuro você vai sentir muita falta da época em que você leu este post. Porque você é feliz.

Um dos símbolos da infância dos anos 80. Toda criança tinha a estrela dentro do coração. Hoje as crianças são adultos, não menos felizes, que sentem saudade do passado.





