Posts de Setembro, 2007

Sobre a punição da Mclaren

Setembro 17, 2007

Na Quinta-Feira passada, saiu a punição para a Mclaren pelo caso de espionagem dos dados da Ferrari. A equipe teve os seus pontos de construtores zerados por todo o resto da temporada, e ainda terá que pagar uma multa de 100 milhões de dólares à FIA.

Procurei evitar este assunto, pois eu estava torcendo pelo Felipe Massa nesta temporada, e a possível exclusão da Mclaren do campeonato de 2007 interessava(e muito) as chances de título dele. Apesar disto, procurarei elucidar o porque de a Mclaren não ter sido excluída dos campeonatos de 2007 e de 2008.

Primeiramente, a equipe em questão é a Mclaren. O simples fato de ser uma equipe de grande tradição a candidata à exclusão das temporadas já coloca os homens fortes da FIA com um pé atrás antes de tomar qualquer decisão. Além do mais, a equipe tem a poderosa Vodafone como aliada, o que dificultaria ainda mais as coisas. Para completar, a Mclaren, além de estar protagonizando com a Ferrari um duelo espetacular, tem um jovem prodígio lutando de igual pra igual com o melhor piloto da atualidade. O mundo inteiro, tirando os brasileiros, finlandeses, e principalmente os espanhóis, quer ver Hamilton campeão. A possibilidade de ver um jovem piloto sendo campeão em sua temporada de estréia(ainda mais sendo negro e inglês) certamente está dando muita audiência para a F1. Tirar a Mclaren do campeonato implicaria em tirar este duelo espetacular. Isto certamente pesou bastante. O leitor pode ter certeza de que, se ao invés da Mclaren fosse a Spyker ou a Super-Aguri, a punição seria a exclusão dos campeonatos de 2007 e de 2008, e quem sabe nunca mais os times pudessem voltar à F1.

Merece elogio a atitude de Max Mosley, que soube aplicar uma punição que agradaria a todo mundo(ou pelo menos desagradaria menos à Mclaren): Zeraria os pontos da Mclaren sem zerar os pontos de Alonso e Hamilton(jogando no colo da Ferrari o título de construtores) e o time não seria excluído de 2007 e de 2008(restando assim a possibilidade de a Mclaren ter o título no mundial de pilotos).

A punição saiu barata? Acho que sim. A meu ver, a Mclaren deveria mesmo ser excluída de 2007 e de 2008, e certamente não estaria tão bem sem as informações da Ferrari. Mas isto não tira o mérito de Alonso e Hamilton por estarem na frente dos rivais da Ferrari. O duelo está de igual para igual, e os dois estão se saindo melhor. Ainda falta a Kimi Raikkonen e Felipe Massa a constância necessária para serem campeões. Tomara que Kimi continue assim. E tomara que Felipe adquira esta constância no ano que vem.

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Graças também aos dados da Ferrari, a Mclaren conseguiu superar os rivais na pista

Os 35 anos da primeira glória

Setembro 10, 2007

“Aí veeeeeem o vencedor da competiçããão!”

“É o Brasil ganhaaaando o campeonato mundial de automobilismo!!”

“Venceeeu Emerson Fittipaldi!!!!!”

35 anos se passaram desde que o Brasil ouviu estas palavras. No dia 10 de Setembro de 1972, pela primeira vez na história, a Fórmula 1 viu um campeão verde-e-amarelo. Ao cruzar a linha de chegada em primeiro no Grande Prêmio da Itália, em Monza, Emerson Fittipaldi dava início à mais gloriosa campanha de uma nação na história da Fórmula 1. Pouca gente se lembra disso, mas na época, Fittipaldi se tornou o mais jovem campeão mundial de todos os tempos, recorde que foi batido por Alonso em 2005, e que pode ser batido por Hamilton em 2007.

Segundo o que o irmão Wilsinho conta, no documentário “A era dos campeões”, tudo teve início quando ele resolveu comprar um carro Porsche zero km. Era o terceiro Porsche que havia chegado ao Brasil, na época. Aí Emerson pediu ao irmão para dar uma voltinha no carro. Era noite em São Paulo. Meia hora se passou, e Wilsinho começou a ficar preocupado com o irmão e com o carro. Pegou o outro carro que tinha e foi atrás de Emerson. Quando encontrou o irmão, a cena era das mais desgostosas: Um Porsche novo todo quebrado, e um Emerson com uma cara de espanto. Perguntou: – e aí? A resposta de Emerson: “e aí que eu bati o carro no poste!”. Wilsinho esbraveja. “Eu vi que você bateu o carro no poste, o que eu quero saber é porque você fez isso com o meu carro novinho!”. E não houve resposta. “eu estava tão alucinado que comecei a brigar com ele”, relembra o irmão. 1 ano e meio depois, com os 60% do dinheiro que havia sobrado do carro em mãos, Wilsinho investiu na carreira de Emerson para ele correr de Fórmula Ford. O que nenhum dos dois sabia era que ali tinha início uma das carreiras mais bonitas do automobilismo.

Emerson estreou na Fórmula 1 no GP da Inglaterra de 1970, e 6 corridas depois, no GP dos EUA, já obteve a sua primeira vitória. Veio uma temporada difícil em 1971, em que o “Rato” não conseguiu vencer nenhuma vez. Mas isto não impediu que ele obtivesse o primeiro título mundial em 1972 e o bi-campeonato em 1974. Além destes, Fittipaldi ainda conseguiu dois vice-campeonatos, em 1973 e 1975. E ainda protagonizou dois momentos emocionantes nos anos dos vice: Em 1973, no primeiro GP do Brasil da história, saiu vencedor. E em 1975, também no GP do Brasil, protagonizou o primeiro “one-two” verde-e-amarelo com José Carlos Pace. Pace foi o vencedor daquela corrida, e Fittipaldi o segundo. A história de depois todo mundo conhece: O fracasso da equipe Fittipaldi e um final de carreira melancólico. Mas nada disto é capaz de apagar o que Emerson fez pelo automobilismo brasileiro.

Depois dos dois títulos de Emerson, vieram os dois tri-campeonatos de Nelson Piquet e Ayrton Senna, e há 16 anos o Brasil espera por mais um título mundial. Quem sabe um dia venha.

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Emerson Fittipaldi