57 anos depois da Copa do Mundo de 1950, o Brasil é novamente oficializado como a sede de um mundial de futebol, desta vez o de 2014. Como vimos, nenhuma surpresa. Um brinde à idéia de Joseph Blatter, em parceria com Ricardo Teixeira, de fazer um rodízio de continentes a partir de 2010. Assim, para 2014, só poderiam se candidatar países da América do Sul. Como só o Brasil se candidatou, ficou fácil. O curioso é que o rodízio acaba a partir da Copa de 2018, exatamente a que vem depois da de 2014. Junte a isto o fato de Teixeira ter ajudado a eleição de Blatter para a presidência da FIFA. Estes fatos nos levariam a pensar, por exemplo, que este rodízio de continentes não passou de uma bela jogada de Ricardo Teixeira para que a Copa do Mundo viesse para cá.
Conspirações à parte, a primeira interrogação que deve vir à cabeça do leitor é: Será que o Brasil terá realmente condições de sediar uma Copa do Mundo? Ter uma competição deste porte em nosso país não seria querer demais, com uma infra-estrutura tão precária? Abrindo um pequeno parêntese, uma coisa parece certa, independente de que time a seleção brasileira tiver: O Brasil chegará como franco favorito ao título de 2014.
Os problemas de uma Copa no Brasil não se limitam apenas aos gastos astronômicos para custear as despesas(vale salientar que o dinheiro empregado é o dinheiro do povo), tampouco à falta de infra-estrutura. O problema maior, a meu ver, é psicológico. É a ilusão(seguida da desilusão) que um evento deste porte causa em nosso país. É uma alegria que contagia todos os brasileiros(inclusive os mais intelectuais). É igualmente alucinante e ilusória, porque quando a Copa acaba, volta tudo ao normal. E o normal, para o nosso país, são os inúmeros problemas de pobreza e desigualdade social. Quando chegarmos a 2014, o Brasil ainda será um país desigual e sofrido, às vésperas do mês da mágica. Quando a Copa terminar, a mágica acabará, e o Brasil ficará ainda mais sofrido e mais desigual. Utilizando um clichê já bastante desgastado, os ricos ficarão mais ricos, e os pobres ficarão mais pobres.
Nos preparemos, então, para a Copa de 2014. Será um mês de pura hipnose. O Brasil irá parar como nunca para assistir aos jogos. Até as pessoas conscientes, como eu, não resistirão a este ópio. A esta hipnótica emoção.


Joseph Blatter, e o logotipo da Copa do Mundo de 2014

