Este post será quase todo baseado na última coluna do jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira, com quem concordei em gênero, número e grau sobre o assunto do qual irei falar. Se o leitor mais crítico quiser achar que copiei as idéias de Mauro, sinta-se livre para isto, porque este post realmente é um plágio. Mas o fiz porque ele falou em sua coluna exatamente o que achei da história que vou contar.
O caso envolvendo o jogador Kaká e a Igreja Renascer está dando o que falar. Para quem não sabe, o ídolo brasileiro doou um dízimo de R$ 2 milhões aos bispos desta Igreja, além de deixar o troféu de melhor jogador do mundo na sede da Renascer. A polêmica das doações mora no fato de que o casal de bispos da Renascer (Estevão e Sônia Hernandez) está sendo acusado de estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, além de ambos terem sido presos nos EUA por causa da tentativa de passar na alfândega com US$ 56,5 mil, depois de terem declarado US$ 10 mil.
É inconcebível que um ídolo como Kaká seja capaz de embarcar numa dessas. Por tudo o que conquistou, por ser o melhor jogador do mundo atualmente, e por ter alcançado tanto prestígio com os fãs brasileiros e italianos(com totais méritos), Kaká deveria ter o mínimo de bom senso para entender que estas doações podem ser uma bela furada. O dinheiro e o troféu são para a Renascer, é verdade, mas a Igreja está no nome do casal de bispos citado no parágrafo anterior. Em outras palavras, eles fazem o que quiserem com o dinheiro da Igreja. Deste modo, como confiar R$ 2 milhões a um casal de bispos que está sob as suspeitas citadas anteriormente?
Há um outro ponto (inclusive citado na coluna de Pereira): Kaká é um dos maiores astros do futebol atual. Tudo o que ele faz serve de exemplo para os milhões de fãs que tem. Apoiar este casal de bispos é uma grande irresponsabilidade, porque induz outros tantos fiéis a fazerem o mesmo. “Ah, mas os fiéis apóiam a Igreja desde antes de Kaká se tornar um astro”, podem argumentar os fanáticos. Só que as suspeitas sob as quais os bispos estão colocam o nome da Renascer em cheque. Nada como o apoio de um grande ídolo como Kaká para segurar firme a popularidade da Igreja. Este caso, sem sombra de dúvidas, é passível de uma investigação.
Preste bem atenção e perceba que não estou criticando a religiosidade ou a religião de Kaká, tampouco acusando o casal de bispos. Estou apenas afirmando que não se deve confiar em quem está sob forte acusação de algum crime, e que isto merece ser investigado, não importando se o acusado é famoso, religioso, rico, ou pobre… Há um casal de bispos de uma Igreja sendo acusado de crimes graves, isto é fato. Não é porque Kaká é um astro e os acusados são bispos de uma Igreja que este caso deve ser deixado de lado, oras.
Mauro Cezar Pereira, em sua coluna, adotou um discurso cauteloso ao criticar Kaká (que mesmo assim despertou a ira de muitos fiéis religiosos e fãs do jogador brasileiro), deixando claro que sua coluna é apenas uma defesa à tese de que o caso merece uma investigação. Na posição de jornalista esportivo, Mauro tomou a postura correta. Mas é necessário dizer que, caso as suspeitas contra os bispos sejam verdadeiras, os fiéis da Igreja estarão sendo enganados de maneira muito injusta e maldosa, e a atitude dos bispos(e quem sabe até a de Kaká) será repudiada por muita gente. Num linguajar mais banalizado, terá sido uma sacanagem fenomenal.
A religiosidade das pessoas é algo puro, inocente e sincero. É inaceitável que se utilize isto para benefício próprio.

Imagem: http://i.a.cnn.net/si/2007/writers/world_soccer/07/30/kaka.qa/p1_kaka2_0515.jpg
Coluna de Mauro Cezar Pereira, sobre o assunto aqui postado: http://espnbrasil.terra.com.br/colunistas/materia.aspx?Colunista=38

