Posts de Janeiro, 2008

$antificada seja a vo$$a inocência

Janeiro 21, 2008

Este post será quase todo baseado na última coluna do jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira, com quem concordei em gênero, número e grau sobre o assunto do qual irei falar. Se o leitor mais crítico quiser achar que copiei as idéias de Mauro, sinta-se livre para isto, porque este post realmente é um plágio. Mas o fiz porque ele falou em sua coluna exatamente o que achei da história que vou contar.

O caso envolvendo o jogador Kaká e a Igreja Renascer está dando o que falar. Para quem não sabe, o ídolo brasileiro doou um dízimo de R$ 2 milhões aos bispos desta Igreja, além de deixar o troféu de melhor jogador do mundo na sede da Renascer. A polêmica das doações mora no fato de que o casal de bispos da Renascer (Estevão e Sônia Hernandez) está sendo acusado de estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, além de ambos terem sido presos nos EUA por causa da tentativa de passar na alfândega com US$ 56,5 mil, depois de terem declarado US$ 10 mil.

É inconcebível que um ídolo como Kaká seja capaz de embarcar numa dessas. Por tudo o que conquistou, por ser o melhor jogador do mundo atualmente, e por ter alcançado tanto prestígio com os fãs brasileiros e italianos(com totais méritos), Kaká deveria ter o mínimo de bom senso para entender que estas doações podem ser uma bela furada. O dinheiro e o troféu são para a Renascer, é verdade, mas a Igreja está no nome do casal de bispos citado no parágrafo anterior. Em outras palavras, eles fazem o que quiserem com o dinheiro da Igreja. Deste modo, como confiar R$ 2 milhões a um casal de bispos que está sob as suspeitas citadas anteriormente?

Há um outro ponto (inclusive citado na coluna de Pereira): Kaká é um dos maiores astros do futebol atual. Tudo o que ele faz serve de exemplo para os milhões de fãs que tem. Apoiar este casal de bispos é uma grande irresponsabilidade, porque induz outros tantos fiéis a fazerem o mesmo. “Ah, mas os fiéis apóiam a Igreja desde antes de Kaká se tornar um astro”, podem argumentar os fanáticos. Só que as suspeitas sob as quais os bispos estão colocam o nome da Renascer em cheque. Nada como o apoio de um grande ídolo como Kaká para segurar firme a popularidade da Igreja. Este caso, sem sombra de dúvidas, é passível de uma investigação.

Preste bem atenção e perceba que não estou criticando a religiosidade ou a religião de Kaká, tampouco acusando o casal de bispos. Estou apenas afirmando que não se deve confiar em quem está sob forte acusação de algum crime, e que isto merece ser investigado, não importando se o acusado é famoso, religioso, rico, ou pobre… Há um casal de bispos de uma Igreja sendo acusado de crimes graves, isto é fato. Não é porque Kaká é um astro e os acusados são bispos de uma Igreja que este caso deve ser deixado de lado, oras.

Mauro Cezar Pereira, em sua coluna, adotou um discurso cauteloso ao criticar Kaká (que mesmo assim despertou a ira de muitos fiéis religiosos e fãs do jogador brasileiro), deixando claro que sua coluna é apenas uma defesa à tese de que o caso merece uma investigação. Na posição de jornalista esportivo, Mauro tomou a postura correta. Mas é necessário dizer que, caso as suspeitas contra os bispos sejam verdadeiras, os fiéis da Igreja estarão sendo enganados de maneira muito injusta e maldosa, e a atitude dos bispos(e quem sabe até a de Kaká) será repudiada por muita gente. Num linguajar mais banalizado, terá sido uma sacanagem fenomenal.

A religiosidade das pessoas é algo puro, inocente e sincero. É inaceitável que se utilize isto para benefício próprio.

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Kaká: “Obrigado aos bispos Sônia e Estêvão por terem me trazido a palavra de deus, e por serem pessoas de deus”. Sem comentários.

Imagem: http://i.a.cnn.net/si/2007/writers/world_soccer/07/30/kaka.qa/p1_kaka2_0515.jpg

Coluna de Mauro Cezar Pereira, sobre o assunto aqui postado: http://espnbrasil.terra.com.br/colunistas/materia.aspx?Colunista=38

Um verdadeiro crime automobilístico

Janeiro 15, 2008

O autódromo de Jacarepaguá será demolido. Depois da primeira facada no circuito, quando mutilaram um de seus trechos para a construção da Arena Multi-uso (usada no panamericano do Rio de Janeiro), agora veio o anúncio do tiro de misericórdia: Destruirão o circuito para a construção de uma arena olímpica, visando a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016. Um absurdo.

Se estivéssemos falando de um autódromo desconhecido, a decisão não teria muita repercussão. Mas não é. Também chamado de Autódromo Nelson Piquet, Jacarepaguá não é um circuito qualquer: Tem história. Há anos abriga corridas das categorias mais populares de nosso país, como a Stock Car. Se o histórico de Jacarepaguá se resumisse apenas às categorias menores, seria até perdoável a sua destruição. Mas ele também tem história com a Fórmula 1. Sediou o GP do Brasil durante toda a década de 80, e foi o palco de momentos inesquecíveis para a torcida verde-e-amarela. Para quem viveu esta época, como esquecer a vitória de Nelson Piquet em 1983? Foi nesse dia que tocou pela primeira vez o tema da vitória, a música que a Rede Globo toca quando um brasileiro vence uma corrida na F1(ou, como alguns preferem, “a musiquinha que tocava quando o Senna ganhava”). Ainda mais glorioso foi o GP do Brasil de 1986, que teve dobradinha verde-e-amarela, com Nelson Piquet em 1° e Ayrton Senna em 2°. A cena do pódio, em que os dois seguram simultaneamente uma bandeira do Brasil, ficou guardada na memória de quem é brasileiro e apaixonado por automobilismo.

O argumento de que a arena Olímpica será uma referência para o treinamento de atletas de alto nível não cola. A arena Multi-Uso foi construída e está parada… Cadê o investimento nos atletas de alto nível? A destruição do circuito para a construção desta arena, dadas as suas devidas proporções, é como a destruição de uma das pirâmides do Egito pelo governo egípcio para a construção de outra coisa no mesmo lugar. Ah, a comparação com a Pirâmide egípcia foi demasiado exagerada, podem argumentar. Mas eu a fiz porque estamos falando de um patrimônio histórico do Automobilismo brasileiro. O governo carioca pode construir os autódromos que quiser nos cantos que quiser, que nunca irá suprir a falta que o autódromo Nelson Piquet fará. Nunca.

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Senna e Piquet no pódio do GP do Brasil de 1986, celebrando a dobradinha verde-e-amarela. É por cenas como esta que condeno com ardor a destruição do autódromo de Jacarepaguá.

Imagem: http://www.lookweb.com.br/medaglia/f1/86brasil/svpe2peo.jpg

Triste fim

Janeiro 10, 2008

Ronaldo não jogou o mundial de clubes pelo Milan. Mais uma vez contundido, o brasileiro foi cortado às vésperas do confronto do clube com o Urawa, em Yokohama, que foi realizado no dia 13/12/2007. O grande número de contusões e as suas durações(às vezes Ronaldo fica 1 mês sem jogar) vão, aos pouquinhos, desenhando um melancólico fim de carreira para o Fenômeno… Hoje em dia, inclusive, muitos questionam se ainda há motivos para chamar Ronaldo de Fenômeno.

Quem lembra do início da carreira de Ronaldo certamente nunca apostaria que o Fenômeno um dia estaria nesta situação. Ele estreou cedo nos gramados, aos 17 anos de idade. Foi pelo Cruzeiro, em 1993. Suas magníficas atuações chamaram a atenção do PSV da Holanda, que contratou o craque. Isto foi em 1994. No mesmo ano, Ronaldo viveu(como reserva da seleção) a primeira grande alegria de sua vida: A conquista do tetracampeonato, na Copa do Mundo de 1994, nos EUA. Embalado pela alegria, o brasileiro arrebentou nos gramados holandeses, e foi o artilheiro do campeonato local. Chamou a atenção do Barcelona, e para lá foi em 1996, com o intuito ganhar o mundo. Com apenas 20 anos de idade, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, e repetiu o feito no ano seguinte, aos 21 anos de idade.Chegou aquele que seria o grande ano do Fenômeno: 1998. Ano de Copa do Mundo. Ano para se tornar o melhor jogador do mundo pela terceira vez consecutiva. O Brasil chegou com amplo favoritismo, principalmente por causa de Ronaldo, mas a história das Copas reservava uma triste sina para o craque: Uma misteriosa convulsão algumas horas antes da partida. O que se seguiu a este momento, até a hora do jogo, foi uma indecisão infernal: Ronaldo joga ou não joga? Se ele não jogasse e o Brasil perdesse, a imprensa iria culpar a comissão técnica por não tê-lo escalado. Se ele jogasse e sofresse algo mais sério, a imprensa iria acusar a comissão de irresponsável. O fato é que Ronaldo foi escalado, mas não tinha condição nenhuma de jogar. A dolorosa derrota por 3×0 para a França, na final da Copa, foi o resultado de um dos dias mais difíceis e tumultuados da história da seleção brasileira, que entrou completamente batida antes mesmo de o jogo começar. Mas o pior, para Ronaldo, estava por vir.

Em um jogo pela Inter de Milão, Ronaldo teve uma contusão seríssima, e ficou afastado por quase 1 ano. Quando voltou, em 2001, estava com um mal rendimento e todos davam a sua carreira como acabada. Mesmo assim, o técnico Felipão convocou o Fenômeno para a Copa do Mundo. E o resultado surpreendeu o mundo: Brasil pentacampeão do mundo em cima da Alemanha, 2×0, com gols de Ronaldo. Artilheiro da Copa? Ronaldo. Melhor do mundo em 2002? Ronaldo. Simplesmente espetacular.

Aí chegou a fase do Real Madrid, em 2003, e Ronaldo continuou a ótima fase, se tornando o artilheiro do campeonato espanhol daquele ano. Em 2004, fez bons jogos, mas foi uma temporada mais difícil. Vieram séries de contusões e más atuações em 2005, e alguns começaram a questionar novamente as condições de Ronaldo como jogador. As seqüências de más atuações continuaram em 2006, e eram fortes os rumores de que Ronaldo estava acima do peso ideal. “Ah, vocês vão ver, Ronaldo vai dar a volta por cima e arrebentar, como fez em 2002″, a maioria argumentava. Mas a atuação horrorosa da seleção na Copa de 2006 apagou Ronaldo definitivamente. Mesmo tendo feito 3 gols e se tornado o maior goleador da história das copas do mundo, o Fenômeno não se manteve por cima. Saiu do Real Madrid, foi pro Milan, e está se contundindo mais do que jogando. Como disse o brilhante jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho, “é triste ver que Ronaldo é notícia só quando joga, e não o contrário”.

E assim, vai se desenhando um triste fim de carreira para um dos jogadores mais brilhantes de todos os tempos. Sim, brilhante, porque nem a convulsão em 1998, nem a contusão em 2000, e nem a palhaçada na Copa de 2006 apagam o que Ronaldo fez pelo futebol. O futebol deu muito a Ronaldo. Mas Ronaldo deu ainda mais para o futebol.

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Ronaldo, em sua fase decadente pelo Milan. O Fenômeno merecia coisa melhor.