Posts de Fevereiro, 2008

Na Espanha é pior

Fevereiro 26, 2008

No Brasil, alguns jornalistas esportivos e pessoas pseudo-intelectuais criticam bastante o fanatismo e a paixão que o torcedor brasileiro tinha (e ainda tem) por Ayrton Senna. Em muitas comunidades de Fórmula 1 do Orkut, chamam os sennistas de viúvas e doentes, e ainda zombam das manifestações de “ódio” a Schumacher e Prost, dois dos maiores rivais que Senna teve. Para tais pessoas, a TV Globo é uma emissora vergonhosa porque era tendenciosa ao enaltecer Ayrton. E já vi postarem que em nenhum outro país é assim.

Quer saber onde é pior? Na Espanha. A torcida e a mídia espanhola fazem um verdadeiro estardalhaço quando se fala de Fernando Alonso. O jornal esportivo mais popular da Espanha, o AS, veste a camisa e toma todas as dores da torcida e do bicampeão. O alvo de secada preferido, como não poderia deixar de ser, é Lewis Hamilton, o maior rival do asturiano. Ainda lembro de uma notícia de 16/06/2007 (de quando Hamilton começou a andar na frente de Alonso), cujo título é: “Alonso dominó ayer al copista Hamilton” (algo como “Ontem Alonso dominou frente ao imitão Hamilton”). A notícia se refere ao fato de o bicampeão ter sido mais rápido nos treinos do GP dos EUA, e faz alusão a Lewis ter copiado os acertos e os dados telemétricos do carro de Alonso. Observem bem o tom depreciativo com o uso da palavra “copista”. Se o leitor achou pouco, que tal ler o texto e prestar atenção aos adjetivos que definem um e outro? Quando se fala de Alonso, se fala do bicampeão, do prodígio, de um piloto excelente, e etc e tal. E Hamilton? É o imitão, ou o “copista”.

Numa outra notícia, intitulada “Nelson Piquet respaldará el debut de su hijo” (“Nelson Piquet apoiará a estréia de seu filho”), o AS coloca novamente as garras e as cornetas de fora. Segue um trecho traduzido (se alguém souber traduzir melhor, por favor não se sinta acanhado em me corrigir): “Nelson Piquet foi um grande piloto, três vezes campeão do mundo, e sempre se envolveu em polêmicas. Suas broncas com o seu companheiro Nigel Mansell foram lendárias, e o seu peso como pai é muito maior do que o do onipresente Anthony Hamilton”. Observem a citação final deste trecho. A notícia é supostamente sobre Nelson e Nelsinho Piquet, e o AS coloca o nome do pai de Lewis Hamilton (que a princípio não tem nada a ver com a notícia) para alfinetar. Puro sensacionalismo.

A torcida de Alonso auxilia o AS com o chororô: Acusa a Mclaren e Hamilton de terem sido ladrões e injustos na temporada do ano passado. Até aí tudo bem, já que todo torcedor sempre procura defender com unhas e dentes o seu ídolo. Mas no último treino em Montmeló, dez espanhóis pegaram pesado nas arquibancadas: Cada um foi ao autódromo pintado de preto com uma camisa branca na qual estava escrito: “Hamilton Family”. Racismo explícito. A FIA, como era de se esperar, já está tomando as devidas providências para evitar novas manifestações. O AS, é lógico, disparou contra as acusações de racismo, afirmando que “10 torcedores não representam 55 mil”.

Fiz todo este levantamento de informações para deixar claro que fanatismo e imprensa tendenciosa existem em todo canto. De “viúva” e de TV Globo, todos os países tem um pouco.

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Racismo: Os torcedores espanhóis passaram dos limites. E ainda tem gente que chama os sennistas de “viúvas”.

As civilizações do futuro

Fevereiro 13, 2008

2008 … 2018 … 2058 … 2108 … 2508 … 3008 … 4008 … 10008… 1000008 ?

Um dos exercícios mentais que acho mais interessante é usarmos a nossa imaginação para conjeturarmos sobre o futuro da humanidade. Isto já foi feito (e continua sendo) por várias pessoas (das mais diversas áreas), desde físicos e astrônomos até escritores e astrólogos. Prever o futuro é uma das grandes obsessões dos seres pensantes que habitam este pequeno planeta azul.

Mas como começarmos a elaborar as nossas hipóteses? De início, duas coisas são necessárias: Primeiro, definir o setor que iremos atacar na previsão. Aqui, irei fazer previsões do ponto de vista dos avanços tecnológicos, dando algumas pinceladas nas conseqüências sociais que isto trará para a nossa civilização. Segundo, já que iremos focar o avanço tecnológico, precisamos entender a motivação que há por trás de tal avanço. Em outras palavras, quanto mais compreendermos a natureza do avanço tecnológico, maior será a consistência de nossas conjeturas. Como o leitor perceberá, à medida que avançarmos no tempo, nossas previsões serão mais imprecisas, porém mais interessantes.

Começarei as previsões para daqui há 10 anos. Assim, como estamos em 2008, as previsões deste parágrafo são para 2018. Comecemos, então: Atualmente, com o advento da Wi-Fi (que é responsável pela tecnologia de redes sem fio, ou Wireless) e com a explosão da compra de Notebooks, não é um absurdo imaginar que em 10 anos haverá Hotspots por praticamente todos os lugares do mundo, inclusive em residências. Talvez até para menos do que 10 anos, ter uma Hotspot em casa será aproximadamente como o que hoje corresponde a ter um computador residencial com rede munida de fio (ou quem sabe, haverá uma Hotspot suficientemente poderosa para cobrir uma cidade inteira). Para sobreviverem frente a Notebooks e Palms, os PCs terão que aumentar consideravelmente o poder de processamento e armazenamento de informações. Assim, os PCs que você utilizará daqui há 10 anos terão HDs com espaço da ordem de alguns TB (Tera-Bytes), CPU de alguns THz e algumas centenas de GB de memória RAM. Seu periféricos (mouse, teclado, caixas de som, e etc) certamente serão sem fio. Seu computador também terá um driver de Blu-ray (na capacidade de armazenamento, o sucessor do CD é o DVD, e o sucessor do DVD é o Blu-ray). O Blu-ray poderá armazenar de 25GB a 100GB de informação. Por fim, a TV da sua sala será de tela plana e digital.

Ok, até aqui foi fácil fazer previsões, já que me baseei em tecnologias já existentes (porém não difundidas ainda) para prever um futuro com estas tecnologias difundidas… Então avancemos mais na cronologia, e façamos uma previsão para daqui há 100 anos. Em 2108, a robótica deverá estar a tal nível avançada que terá permitido a criação de máquinas inteligentes semelhantes aos seres humanos. Isto quer dizer que meus bisnetos, trinetos e tataranetos talvez interajam com robôs em sua vida cotidiana. Quem sabe os futuros membros da minha família tenham a possibilidade de instalar em seus cérebros chips eletrônicos de informação, para melhorar o aprendizado… Será que os carros do futuro poderão voar, como aqueles em “O quinto elemento” e em “Os Jetsons”? Talvez, mas não acredito que seja para daqui há 100 anos. Antes disto, acredito na construção de super viadutos de 10 ou mais níveis para o trânsito de carros. Creio que os edifícios residenciais mais comuns de 2108 serão super arranha-céus de várias centenas de andares (atualmente já existem prédios com mais de 100 andares, mas são raros; inclusive o Kuwait tem um projeto de prédio com 250 andares), e tanto os super viadutos quanto os super prédios virão da necessidade de abrigar uma população mundial alguns bilhões de pessoas maior do que a atual.

Que tal irmos mais longe, e tentarmos imaginar as civilizações daqui há 500 anos? Quem sabe neste estágio de evolução já se tenha concluído que o trânsito terrestre é inviável para uma população tão gigante, mesmo com viadutos de várias centenas de níveis, já que isto acarretaria longevidade e complexidade absurdas para se ter acesso aos locais desejados… Nesta época, pode ser que já não haja espaço suficiente para se fazer novas construções em solo terrestre… Como resolver estes problemas, então? É aí que os carros voadores e as estações flutuantes poderiam se tornar populares: Seriam uma solução para a falta de espaço e de simplicidade de acesso aos cantos. No entanto, estas idéias enfrentam um grande problema: A quantidade de energia necessária para consolidá-los seria exorbitante. A manutenção e o controle das estações no ar seriam dificílimos e desgastantes. Além disto, você conseguiria imaginar o tamanho do estrago se um dos carros voadores ficasse sem combustível? O que é certo é que caso eles existam em 2508, serão um meio de transporte complementar ao trânsito terrestre, que continuará firme e forte neste estágio. Com relação à genética, como enfatiza Stephen Hawking (no livro “O universo numa casca de noz”), há uma boa possibilidade de em 500 anos sermos capazes de desenvolver embriões fora do corpo humano, o que permitirá mais inteligência e cérebros maiores.

“Talvez, quem sabe, há a possibilidade… assim fica fácil prever o futuro”, pode argumentar o leitor. Mas todas estas previsões estão baseadas em idéias bem fundamentadas, e se citei uma época específica para cada uma delas, é porque estas são boas apostas para as nossas previsões. Tanto que a partir de agora, já que irei conjeturar sobre o futuro de alguns milhares de anos à nossa frente, não vou citar um milênio específico, e irei me basear em um livro muito interessante que li (“O livro de ouro do universo”, do astrônomo Ronaldo Mourão). Segundo este livro, um astrofísico chamado Nicolaus Kardashev classifica as civilizações do espaço em três tipos: I, II e III. As civilizações do tipo I são capazes de controlar toda a energia recebida pelo seu planeta, para finalidades vitais. A terra ainda não se encontra neste estágio. De acordo com Kardashev, em algumas centenas de milhares de anos, seremos obrigados a procurar energia fora de nosso planeta, e teremos capacidade de colonizar os astros de nosso sistema planetário. Este é o tipo II das civilizações. Neste estágio, arrisco dizer que certamente existirão carros voadores e estações flutuantes, para realizarem o trânsito interplanetário. Quando a energia do sistema planetário não for mais suficiente para abastecer a nossa futura gigantesca civilização, seremos obrigados a expandir nossos domínios para outros sistemas, e aí atingiremos o tipo III das civilizações. Kardashev afirma que a migração do tipo II para o tipo III se dará em algumas centenas de milhões de anos, quando nos tornaremos capazes de colonizar toda a Via-láctea. Assim, se existem extraterrestres em nossa galáxia, é muito provável que já teremos entrado em contato com eles neste estágio.

Tudo o que falei neste texto parece ser exageradamente revolucionário e fora de alcance. Mas se o leitor está com dificuldade de aceitar estas idéias, sugiro que feche os olhos e se imagine na idade média. Seria possível você prever que hoje teríamos computadores, internet, carros e TV digital?

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Será que a nossa futura civilização terá carros voadores como os da figura acima, de “O quinto Elemento”?

Imagem: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/imagens/223_05.jpg