Posts de Abril, 2008

Um ano

Abril 27, 2008

Hora de apagar as velinhas! Este blog completa um ano HOJE! É isso mesmo que você acabou de ler, caro leitor. Aqui, vou falar um pouco sobre como surgiu a idéia de escrever um blog sobre vários temas, como F1 (principalmente), Futebol, e outros assuntos.

Tudo começou após eu me tornar leitor assíduo das colunas Warm Up, do Flávio Gomes. Sobre que assunto são as colunas? Sobre Fórmula-1, é lógico (tinha que ser sobre isto…)! Me tornei fã das colunas do Flávio de tão bem escritas que eram, e depois de tanto lê-las, acabei assimilando por osmose o estilo de escrita e uma boa parte da maneira de pensar dele. Com isto, surgiu o desejo de criar um blog… E foi baseado no meu tema preferido que escrevi, há exato 1 ano, meu primeiro post, “A esperança verde-e-amarela”. O post era sobre as chances de título que o Brasil teria em 2007 na F1, com Felipe Massa. O título não veio, e dificilmente virá enquanto Felipe for o brasileiro com as melhores chances… Mas e daí?

Após “a esperança verde-e-amarela”, vieram muitos outros posts, a maioria sobre F1, e mais alguns sobre Futebol, Informática, e etc. Até o momento, são 38 no total, incluindo este.

Eu realmente não esperava me empolgar tanto com o blog quanto me empolguei… E espero continuar assim ainda por muito tempo! Aos fiéis leitores, muito obrigado pela “audiência” ;D

O que mais repercutiu

Abril 24, 2008

Há quase um mês, a imprensa e a sociedade brasileira vivem um momento de histórica indignação com a morte brutal da menina Isabela Nardoni. Em mais de 20 dias de cobertura intensa pela TV, o caso parece caminhar para um desfecho. Há fortes indícios de que Isabela foi esganada e jogada do 6°andar. E os principais suspeitos do crime são Alexandre Nardoni (o pai da menina) e Anna Jatobá (madrasta da menina).

Há crimes que a sociedade não perdoa, e a idéia de que um pai pode ter assassinado a própria filha de maneira tão violenta causa uma intensa (e compreensível) revolta nos cidadãos brasileiros. Há poucos dias, eu defendia a tese de que a imprensa deveria se manter longe do caso, a fim de não correr o risco de induzir a sociedade a pré-julgar pessoas contra as quais não haviam provas, e danificar de maneira irreversível a imagem delas. Mas depois de a polícia ter indiciado Alexandre Nardoni (o pai da menina) e Anna Jatobá (a madrasta da menina), com o interrogatório de ambos, pareceu eliminar as poucas dúvidas que haviam sobre os assassinos. Apesar de não existirem provas concretas (até o momento), há indícios muito contundentes de que Alexandre e Anna foram os únicos participantes do crime, e todos os indícios apontam para ambos como assassinos. De posse disto, e da entrevista de ambos à Rede Globo, dá para afirmar com 99,999999(e bote nove nisso)% de certeza de que os assassinos são mesmo Alexandre e Anna. Não há como não pensar que foram eles.

A entrevista que Nardoni e Jatobá deram à Rede Globo foi polêmica. Alexandre negou as acusações contra ele e Anna, e falou que se emocionou ao ver a filha no velório. Palavras dele: “deu vontade de entrar no caixão pra ficar com ela”. Num dos muitos programas sobre o caso na TV, questionou-se o comportamento de Alexandre e Anna, que sequer se olharam durante a entrevista. Um psicólogo, no programa, observou uma atitude sutil de Alexandre, quando este tentou ajeitar a manga da camisa. “Um pai que teve a filha assassinada de maneira tão brutal teria a preocupação de ajeitar a manga da camisa?”. Outra atitude observada do pai foi o olhar. “Quando falava da filha, Alexandre parecia incomodado e virava os olhos o tempo todo”.

O caso Isabela é mais um entre tantos outros que repercutiram, como o de Felipe Caffé e Liana Friedenbach (assassinados pelo Champinha, que estuprou e violentou Liana), e de Suzane Richthofen, que matou os próprios pais. Não hesito em dizer, porém, que o caso Isabela foi o que mais repercutiu (e ainda repercute) dentre estes, e já entrou para a história da TV brasileira. Porque um pai matar a filha de uma maneira tão fria e violenta é o crime mais cruel que existe. Pior do que um casal que é assassinado. Pior do que uma filha que mata o pai.

Em relação à entrevista dada por Alexandre e Anna, o que o blogueiro que vos fala acha? Que nenhum dos dois convenceu. Destaco a frase de Alexandre: “Deu vontade de entrar no caixão para ficar com ela”. Se eu tivesse uma filha e ela fosse morta daquele jeito, diria: “Meu sonho era tê-la viva aqui comigo e dar um abraço bem forte nela”.

9 2 9 3 7 0 9… D13!

Abril 17, 2008

“Subúrbio de Paris, 2013. Ninguém consegue controlar o 13º Distrito. A polícia tenta aprender como fazer isto. Dois jovens heróis, nascidos quando aquilo se tornou uma terra de ninguém e lutando contra um governo repressor, têm 24 horas para entrar e salvar o que se tornou um local violento e fora de controle.”

Confesso que quando liguei a TV e o DVD-player, não sabia qual seria o teor do filme “13° distrito”. Fui recomendado por uma amiga (de muito bom gosto) a assistir ao filme. Assim que começou, a primeira impressão que tive foi: – Ah, esse aí é mais um daqueles filmes chatos sobre drogas e violência, sem enredo e originalidade alguma. “A minha amiga gosta disso aí?”, indaguei. As cenas iniciais mostram uma máfia barra pesada (que possuía um verdadeiro arsenal de armas) tentando invadir um prédio para pegar um jovem cujo nome é Leito. Este, nervoso e com muito medo, tenta desesperadamente se livrar de vários pacotes de drogas, rasgando-os e jogando o conteúdo numa banheira com água. Com 8 minutos e pouco de filme, a máfia consegue chegar ao apartamento de Leito. Pensei: “Agora ele se lascou”. Me enganei. Numa atitude rápida e digna de um Neo (de Matrix) ou de um Macgyver (de Profissão Perigo), ele pula por cima dos mafiosos e escapa pela janela. “É, acho que o filme não vai ser tão chato assim”, pensei.

O desenrolar do filme coloca um agente policial (cujo nome é Damien) em aliança com Leito, para que ambos desarmem uma bomba que pode destruir todo o subúrbio francês (o 13° distrito). “É, tá ficando legal o filme”, pensei. A bomba havia sido posta em um lugar estratégico, e Damien havia sido convocado pelas autoridades francesas a se infiltrar no perigoso local, fortemente guardado pela máfia (a mesma que foi atrás de Leito nos primeiros minutos do filme). Leito precisava salvar a sua irmã, que havia sido seqüestrada pela máfia e estava junto com a bomba. E aí, depois de muito sangue derramado e uma luta feroz, ambos chegam ao local da bomba. Damien liga para o presidente, e pergunta qual é o código da bomba. A resposta: “9 2 9 3 7 0 9 D13″. É aí que entra aquele que considero o clímax do filme: Leito estranha o “9293″ e o D13 da seqüência (que se referiam ao número do prédio e ao distrito em que a bomba estava, respectivamente), e, com umas deduções básicas, conclui que Damien havia sido mandado para armar a bomba, ao invés de desarmá-la. Mas Damien não acredita, e Leito não vê outra opção a não ser lutar contra ele para que a bomba não seja armada. Quando o timer da bomba zera, vem a melhor parte do filme: Nada acontece, e a bomba simplesmente desliga. E Leito tinha razão. Hora de pedir explicações às autoridades.

Com tudo isso, podemos concluir que o filme faz uma crítica à tão manjada índole das autoridades, que só querem se aproveitar da boa vontade de jovens idealistas para satisfazer os seus interesses, no caso o de destruir o distrito marginalizado de Paris. Um pensamento no estilo: “Lógico, qual seria a solução para que eliminássemos a pobreza e a violência? Jogando uma bomba e destruindo toda a massa pobre… Que idéia genial! Mas precisamos fazer também todos pensarem que somos bonzinhos e não queremos fazer isto… Como? Mandando um jovem herói para supostamente desarmar a bomba! Só que na verdade ele irá armá-la! Perfeito!”. A conclusão é a de que eu já vi este filme, mesmo sem ter visto, se é que o leitor me entende…

Assim, como posso definir o “13° distrito”? Uma palavra é suficiente: Magnífico.

Rápido, porém limitado

Abril 4, 2008

Diante das especulações sobre a substituição de Felipe Massa por Sebastian Vettel (e posteriormente por Alonso) na Ferrari, o erro do brasileiro no último GP (o da Malásia) só serviu para alimentar a fogueira. Se a imprensa esportiva em geral (tirando a imprensa brasileira, é lógico) já estava descendo a lenha no brasileiro, agora então nem se fala.

De fato, Massa está mal no campeonato. Duas corridas com o melhor carro do grid (ao lado da Mclaren), e nenhum ponto marcado. Felipe está com um início de temporada pior do que o de 2007, quando foi 6° na Austrália e 5° na Malásia. As críticas, apesar de impiedosas, são justas.

As perguntas que não querem calar são: Felipe Massa é um bom piloto? Ele tem talento para ser campeão? A imprensa especializada fala mais de Raikkonen, Hamilton e Alonso, mas fala pouco de Felipe. Ele é menos piloto do que os outros três? Em caso afirmativo, o que falta a ele? Não há uma única resposta para cada uma destas perguntas, mas podemos clarear as nossas opiniões admitindo algumas constatações que irei fazer ao longo deste post.

De uma coisa pouca gente discorda: Felipe Massa é um piloto veloz. É arrojado, divide com afinco curvas com os seus rivais, anda bem nos treinos livres e na classificação, quase sempre garante um lugarzinho nas primeiras posições do grid, e podemos considerá-lo, por exemplo, tão rápido quanto o seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, que é muitíssimo veloz. “Ah, se o autor do blog afirma que ele é tão rápido quanto um piloto que já foi campeão, então não há como negar que ele também tem talento para fazer o mesmo”, podem pensar. Mas não é bem assim. O brasileiro, apesar de ser muito bom na classificação, não possui um ritmo de corrida consistente (basta lembrar da última corrida, onde ele perdeu a liderança por não ser rápido o suficiente nas voltas antecedentes ao seu primeiro pit-stop), além de não andar bem em todas as situações da corrida. Para ter um bom resultado no fim de semana, Felipe é excessivamente dependente de uma boa classificação. Tanto que as suas 5 vitórias na carreira (até agora) foram largando na pole-position. Como se não bastasse, ele não teve a liderança ameaçada durante nenhuma das corridas que venceu (exceto por um raro momento em que dividiu a primeira curva com Alonso, após a largada do GP da Espanha de 2007). Lewis Hamilton, um de seus rivais, também tem 5 vitórias na carreira (até agora) e venceu apenas largando na pole. Mas Hamilton, em relação a Felipe, é mais decisivo durante a corrida. Em Fuji (no GP do Japão), Lewis largou na frente, mas as condições da pista eram terríveis: Muita chuva, risco de aquaplanagem em determinados trechos, e um festival de rodadas e erros. Em um momento da corrida, o inglês chegou a ficar em 8°, mas a sua pilotagem consistente e segura decidiram a corrida a seu favor. A vitória em Fuji é aquela que considero como a melhor de Hamilton. Por falar em chuva, outro defeito de Massa é não andar bem em pista molhada. Podemos citar como exemplo a corrida de Nurburgring-2007, em que o brasileiro perdeu a liderança para Alonso a poucas voltas do fim, quando começou a chover. Era mais um “pã-pã-pããã” garantido, até a hora da chuva.

Para lutar pelo título com boas chances, Felipe Massa precisa demonstrar mais consistência e segurança nas corridas, além de mais decisão e regularidade nos resultados. E, se depois de dois anos pilotando pela Ferrari ele ainda não demonstrou, é difícil imaginar que ele reverterá este quadro agora. Ele pode até ganhar a próxima corrida, que é no Bahrain (até acredito que há boas chances de isto acontecer), mas tudo nos leva a crer que, se ele conseguir, será 99% por causa de um detalhe: Ele terá largado na pole.

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Felipe Massa: Falta consistência para lutar pelo título

O drama do velho Max

Abril 1, 2008

A casa caiu. Max Mosley, presidente da FIA e um dos homens mais poderosos do mundo do automobilismo, foi filmado em orgia sadomasoquista. No filme, Max leva chicotadas de prostitutas vestidas com uniformes de soldados nazistas e acerta as prostitutas com um cinto de couro. Some a isto o fato de terem havido diálogos que fazem clara alusão ao nazismo, e o fato de que Mosley assumiu que era ele o homem que aparece no vídeo.

Pode-se até pensar que isto não alteraria o andamento de sua presidência. Teoricamente, é isto que acontece. De fato, este escândalo não muda em nada a situação de Mosley no poder, pois a vida particular de cada um de nós pertence a ninguém mais do que a nós mesmos, e o inglês não cometeu nenhum crime. Um processo ao jornal “The news of the world”, e tudo estaria resolvido. A F1 poderia seguir em frente, e Max poderia continuar na presidência.

O grande problema é que a imagem pública de Mosley ficou comprometida de maneira irreversível. De agora em diante, qualquer pessoa que olhar para Max lembrará do vídeo. Ninguém mais o respeitará, e ele provavelmente será alvo de piadas e de ódio (quem sabe por parte de judeus). Em outras palavras, ele se queimou. Pense naquela pessoa (talvez o seu professor da faculdade, ou o seu patrão no trabalho) por quem você nutre muita admiração. Uma pessoa de quem você discorda algumas vezes, mas respeita. Agora suponha que você soube que ela fez uma orgia de mal gosto. Você continuará respeitando esta pessoa? Agora se imagine na pele da pessoa admirada. Você conseguiria trabalhar sabendo que todos ao seu redor não o respeitam mais?

Pois é. Por tudo isso que falei, acredito que Max Mosley não vai aguentar ficar na presidência por muito tempo. É uma destruição grande demais. A ponto de nem as centenas de milhões de dólares de sua conta bancária serem capazes de reparar este dano.

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Max Mosley: Queimado para sempre