Watchmen Brawn GP

By samuellincoln

Era uma vez um piloto chamado Rubens Barrichello. Ele estreou na Fórmula 1 no remoto ano de 1993 (eu tinha apenas 8 anos nessa época), e despontou como uma grande promessa logo de cara. Em 1994, quando o ídolo maior do Brasil, Ayrton Senna, se foi, pesou sobre Rubinho a pressão de substituir o grande ídolo brasileiro. Nele morava a esperança de novas vitórias brasileiras. E assim foi em 2000, no GP da Alemanha, sob forte chuva. Rubinho então se tornou o herói nacional, aquele que tinha talento para ser campeão do mundo. Mas o tempo passou, a realidade cruel assolou a torcida brasileira, Rubinho não foi campeão, deu declarações infelizes ao longo dos 6 anos em que foi piloto da Ferrari, e se queimou com o público brasileiro. Em 2006, com a vitória em Interlagos, Felipe Massa tomou definitivamente o lugar de Rubinho no coração da torcida.

Era uma vez um piloto chamado Jenson Button. Ele estreou na Fórmula 1 no remoto ano de 2000 (eu tinha apenas 16 anos nessa época), e despontou como uma grande promessa logo de cara. Em 1992, quando o ídolo maior da Inglaterra, Nigel Mansell, se aposentou, a Inglaterra ficou sem ídolos, e pesou sobre Jenson a pressão de substituir o grande ídolo inglês. Nele morava a esperança de novas vitórias inglesas. E assim foi em 2006, no GP da Hungria, sob forte chuva. Jenson então se tornou o herói nacional, aquele que tinha talento para ser campeão do mundo. Mas o tempo passou, a realidade cruel assolou a torcida inglesa, Jenson não foi campeão, e se queimou com o público inglês. Em 2007, com a vitória em Montreal, Lewis Hamilton tomou definitivamente o lugar de Jenson no coração da torcida.

Chega o ano 2008. Na Inglaterra, o novo herói Lewis Hamilton é o favorito ao título. Mas o novo herói brasileiro Felipe Massa também está no páreo. Massa e Hamilton então travam uma boa disputa ao longo do ano, encerrado em um belo thriller no GP do Brasil, quando Massa cruzou a linha de chegada em 1o, e Hamilton tomou o 5o lugar de Timo Glock, na última curva da última volta da última corrida. Hamilton assim se tornou o mais jovem campeão de todos os tempos, o ídolo maior da Inglaterra, o cara que deu continuidade ao legado do ídolo maior Nigel Mansell. Massa, por sua vez, no Brasil, se tornou o virtual campeão de 2008, o campeão sem títulos, aquele que deu continuidade ao legado do ídolo maior Ayrton Senna. “Massa e Hamilton são os grandes ídolos!! Barrichello e Button? Ah, esses aí tão em fim de carreira já, são ex-pilotos em atividade!”.

Aí chega 2009. Em sã consciência, se você, leitor, soubesse, em Janeiro de 2009, que um inglês venceria em Melbourne e um brasileiro iria chegar em segundo, em quem você apostaria? “Hamilton e Massa, é lógico!! Não tem ninguém mais além deles!”. Pois o que a Brawn GP, antiga Honda, fez em Melbourne (e vai caminhando para fazer no resto do ano), não foi apenas a primeira dobradinha de uma equipe estreante em 55 anos. A Brawn GP contrariou as leis da natureza! Cobriu de uma hora para outra os grandes ídolos para fazer surgir novamente os antigos! Ironicamente, Button e Barrichello têm, no período mais decadente, a melhor chance de título de suas carreiras! Uma chance que nunca tiveram enquanto eram os queridinhos de suas nações! Soa estranho, mas Rubinho e Jenson vivem um auge em decadência (que nem os heróis do Watchmen). Auge porque, tudo indica, ambos vão ter os melhores resultados de suas carreiras durante o ano. Decadência porque já tiveram suas imagens exaustivamente exploradas no Brasil e na Inglaterra, e em termos de mídia e de “empolgação” ao torcedor não têm mais muito o que oferecer. Uma curiosidade que esta temporada vai ter é a maneira como as mídias e o público vão encarar o ressurgimento de Button e Barrichello em detrimento do “sumiço” de Hamilton e Massa. É apenas uma das diversões que esta temporada “anti-natural” e “de cabeça para baixo” promete. E Ross Brawn, que antes era visto “apenas” como um gênio estrategista, virou deus.

button-und-barrichello-bleiben-bei-honda_8b04412867
Rubens: – O Spaguetti e o Robinho tão se achando… Button: – Que tal se a gente desse uma lição neles?

4 Respostas para “Watchmen Brawn GP”

  1. Rafael Disse:

    Impressionante mesmo o que está acontecendo. E interessante o paralelo que você traçou da história dos dois. Ao menos que soube, Barrichello estava sem créditos, quase se aposentando… foi uma surpresa o que aconteceu. gostaria muito que ele fosse campeão ou que ao menos faça uma boa campanha.

  2. Rafa Valença Disse:

    O interessante sobre isso é uma matéria que Flávio Gomes postou em seu blog, que Rubinho era o preferido escondido de todo mundo, bastou ter condições de vencer, que a nação tirou os olhos e os corações do massa, e uma corrente do bem(pasmen) agora torce de verdade para barrichello.

    Quer saber? Não é facil viver o que ele viveu, se não vinher titulo, que ganhe corridas Rubinho! Vc merece!

  3. neuroanais Disse:

    Apesar de não acompanhar a Fórmula 1, reconheço que o que está acontecendo é uma guinada no curso das coisas e confesso que até fiquei mais empolgada pra assistir uma corridinha aqui, outra ali. Palmas mais uma vez para o bom estilo de escrita, você me enche de orgulho! :)

  4. Luiz Disse:

    Morri de rir… ótimo post sam.

Deixe uma resposta