Posts de Maio, 2009

Bola de neve

Maio 14, 2009

O GP da Espanha de 2009 será visto futuramente como uma corrida comum, em que um piloto largou bem, pulou de terceiro para primeiro lugar, tinha tudo para ganhar, mas foi segundo, após mudança de estratégia para o companheiro de equipe. Button foi superado por Barrichello na largada e teve uma polêmica mudança de estratégia para obter um resultado melhor na corrida. A tática adotada para Button, segundo alguns, acabou impedindo Rubinho de alcançar a sua tão esperada décima vitória na carreira. Foi a 4ª vitória de Button em 5 corridas, e a segunda dobradinha da dupla “Watchmen” na temporada.

Depois da corrida, Rubinho soltou que “iria pendurar as chuteiras se ficasse provado que Ross Brawn havia mesmo favorecido Jenson Button”, que “não iria aceitar ordens da equipe Brawn”, entre outras declarações. Segundo o blog do jornalista Flávio Gomes, ainda falou que “era mais brasileiro do que qualquer outro”, que “precisava de torcida”, e que “não sabia porque o Rubinho era tão polemizado no Brasil”. Alguns dias antes, não só Rubinho teve o seu site invadido por Hackers que postaram o rosto do piloto num corpo de tartaruga, como também foi alvo de uma alfinetada até grosseira por parte da ex-jogadora Hortência, que afirmou que “A estrela do Rubinho fica na bunda dele, e se apaga quando ele senta no carro”.

A impressão que tenho, quando leio as declarações de Rubens Barrichello, é que ele sempre quer se justificar perante o público. Que ele sempre dá declarações motivado pela linha de pensamento “Vou dizer X, para que as pessoas vejam que não sou Y”. Por exemplo, quando ele diz que “Jenson Button mereceu os resultados que conquistou”, parece que ele está pensando: “Vou elogiar o Button para que os outros vejam que não sou um mau perdedor”. Quando ele diz que “não vai aceitar ordens da equipe”, parece que ele está pensando: “Vou dizer que não aceito ordens da equipe para que todos vejam que não sou um eterno segundo piloto”. Quando ele diz que “não vai mais dar desculpas”, é como se ele estivesse pensando “Vou dizer que vou parar de dar desculpas para que as pessoas não digam mais que dou desculpas”. Se ele diz que “Eu provavelmente seria campeão na Ferrari de 2007″, é como se ele estivesse pensando: “Vou dizer isto para que os outros vejam que sou arrojado e pensem que eu só não fui campeão antes porque a Ferrari não deixou”. É como se ele sempre precisasse explicar os seus maus resultados e quisesse desesperadamente mudar a sua imagem com o torcedor.

Rubinho é bom piloto, um dos melhores que o Brasil já teve, mas é um cara extremamente equivocado fora das pistas, que desgasta uma fração preciosa de si mesmo remoendo o que pensam dele. Se Barrichello tivesse a capacidade de ligar o “foda-se o que os outros pensam de mim”, certamente as coisas seriam bem diferentes para ele. Se ele fizesse a si mesmo a pergunta “O que eu realmente quero? Ser campeão ou me retratar com as pessoas no Brasil?”, e respondesse “Quero ser campeão, independente do que os outros pensem de mim”, não só ele poderia ser campeão, como também iria finalmente acabar com a sua imagem “queimada”, alimentada durante anos como uma bola de neve.

rubinho

Rubinho: Tem que parar de chorar

Ontem, há 15 anos atrás

Maio 1, 2009

Sempre me espanto em dizer que, de hoje em diante, as meninas e os meninos que fizerem 15 anos não terão visto Ayrton Senna correr. Para estes adolescentes, o que aconteceu na curva Tamburello, no dia 1º de Maio de 1994, se refere a um fato muito remoto, antes do início de suas histórias de vida (digo isso baseado no ano em que fiz 15 anos; eu enxergava a morte de Tancredo e as “Diretas-já!” como fatos tão longínquos que pareciam pertencer a outras vidas). E ainda assim, pode perguntar a qualquer adolescente se ele sabe quem foi Ayrton Senna da Silva. Não tenha dúvidas que ele dirá que sim. No entanto, para um blogueiro prestes a completar 25 anos de idade (faltam poucas horas! =D), e para qualquer brasileiro que já tivesse seus 10 anos de idade ou mais, o dia 1º de Maio de 1994 é inesquecível.

Lembro bem que, nesse ano em particular, minha mãe havia decidido comemorar meu aniversário de 10 anos no Sábado, dia 30/04, porque o dia 02/05 iria cair numa Segunda-Feira. O condomínio onde eu morava (morei lá de 1987 até Dezembro de 1994) era muito movimentado, os meninos da minha idade ou próximos (na faixa de 8 a 13 anos) jogavam bola quase todos os dias na quadra do condomínio, que ficava em frente à varanda do meu bloco. Era uma época e tanto. Nesse dia estávamos disputando um campeonato, com camisa uniformizada e tudo, e aí, quando o jogo acabou, minha mãe foi chamar todos nós na quadra para subirmos até o meu apartamento. Lá todos cantaram parabéns para mim, enquanto eu morria de vergonha encabulado, sem saber como me comportar naquele momento. Não lembro bem se foi antes ou depois disso que eu soube do acidente do Ratzemberger, mas eu lembro que fiquei meio chocado com a cena. Nunca havia visto aquilo na vida, na minha cabeça era impossível alguém morrer pilotando um carro de corrida. E já havia tido o acidente forte do Rubinho no dia anterior. Ainda assim, não dei muita bola para aquilo, e à noite lembrei: “Amanhã tem corrida! 9 da manhã!” (nessa época eu já secava o Schumacher com todo o ardor e fogo no coração que eu tinha).

Lembro que estava assistindo a corrida de San Marino no quarto dos meus pais. Nunca esqueço da narração do Galvão naquele dia: “Senna bateu forte!”. Quando vi a cabeça de Senna arriada no cockpit, lembrei do Ratzemberger no dia anterior. Mas eu ainda não temia pelo pior. No entanto, quando eu vi a poça de sangue no chão do circuito, fiz uma pergunta que nunca vou esquecer: “Mãe, e se ele morrer?”. A resposta dela eu também nunca vou esquecer: “Filho, ele não vai morrer”. E eu realmente acreditei. Na minha cabeça, era impossível Senna morrer, ele era uma espécie de super-herói da vida real para mim. Não tenho certeza, mas acho que fomos almoçar fora nesse dia (no Natal Shopping). Tenho certeza, no entanto, que eu estava fazendo um dever de Matemática na sala, à tarde, quando ouvi o choro da minha mãe vindo do quarto dela. Quando cheguei no quarto, vi a TV ligada (tava passando umas imagens do Senna, ao som do tema da vitória numa versão mais triste), e perguntei: “Que foi?”. Meu pai respondeu: “O Ayrton Senna… morreu”. Minha mãe, chorando muito: “Filho, vá para lá!”, e fechou a porta. Voltei para fazer o dever de Matemática, mas fiquei pensando naquilo, sem acreditar: “O Senna morreu?”. Meus olhos já estavam molhados de choro, mas eu ainda não acreditava no que tinha acontecido. E ao mesmo tempo não conseguia me concentrar no dever de Matemática. Alguns minutos depois, quando a ficha foi caindo, desabei no choro. Chorei por várias horas. Acho que nunca chorei tanto na minha vida como naquele dia. Lembro que, enquanto eu chorava, peguei um boné do Senna, que eu havia ganho há poucos dias, coloquei na cabeça, fui à cozinha, e disse à minha mãe: “Nunca vou tirar esse boné da cabeça”. Fiquei algum tempo conformado com aquilo, e me tranqüilizei. Mas quando vi o Fantástico à noite, voltei a chorar. Dormi chorando, e não fui para a aula no outro dia. No dia 02/05/1994, data dos meus 10 anos de vida, acordei meio enfadado, ainda lembrando do dia anterior. Dia 3, quando fui à aula, dois colegas meus logo falaram: “A gente pensou ontem: Ah, Samuel não deve ter vindo porque ainda está abalado com a morte do Senna”. Acertaram em cheio.

Para um adolescente de 15 anos entender o que foi aquele dia, é necessário ter a consciência de não foi apenas a morte de Senna em si. Foi muito também pela maneira como aconteceu. E não foi um acidente de avião, ou uma morte por doença. Ele estava correndo, na liderança da corrida, e nós estávamos torcendo por ele. De repente, ele bate e morre, sem mais nem menos. E nós vimos ele morrer! Sinceramente, se Senna tivesse morrido de doença ou de acidente de avião, eu ficaria triste, mas com certeza não teria chorado tanto. Foi a morte de um dos maiores ídolos esportivos que o Brasil já teve, e da pior maneira possível.

E você, leitor, como foi o seu 1º de Maio? Sinta-se à vontade para dizer como foi. É só comentar! =)