O retorno da revolução

“Tooooqueeeeem… o meu coração!!”

“Faaaçaaaam… A reeeevolução!!!”

A década de 80 foi especial para a música brasileira. Foi nesta década que surgiram bandas que se eternizaram no imaginário do rock brasileiro, como Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana, Barão Vermelho e Blitz. As duas primeiras continuam na ativa e fazem sucesso até os dias de hoje, e o Barão e a Legião são lembrados até hoje pelos seus grandes vocalistas e músicos, Cazuza e Renato Russo. Mas no final de 1984 e começo de 1985, uma banda em especial começou a se destacar e a causar uma verdadeira febre musical no Brasil.

O sucesso que o RPM fez nos anos 80 foi tão grande que não é exagero dizer que eles monopolizaram a música nacional. Durante os anos em que esteve no auge, o RPM vendeu quase 3 milhões de cópias de seus 3 cds lançados.

Tudo começou em 1984, quando Paulo Ricardo e Luiz Schiavon se conheceram, durante um ensaio da antiga banda de Schiavon. Esta se desfez no mesmo dia, e ambos começaram a conversar sobre a fundação de uma banda de rock progressivo. E foi daí que surgiu a banda “Revoluções Por Minuto”, nome posteriormente abreviado para RPM. O guitarrista Fernando Deluqui e o baterista Paulo Pagni se juntaram à banda posteriormente, para formar o quarteto. O primeiro álbum, “Revoluções por minuto”, lançado em 1985, vendeu mais de 300 mil cópias e lançou músicas que entrariam para a história, como a estupenda “Revoluções por minuto”, as excelentes “Louras Geladas”, “Olhar 43″ e “A cruz e a espada”, e a melhor de todas (na minha opinião), “Rádio Pirata”.

A aceitação do álbum com o público foi tão surpreendente que o empresário Manoel Poladian entrou em contato com os integrantes e formou uma parceria com o RPM, que resultou no magnífico “Rádio Pirata ao vivo”, o álbum de rock nacional mais vendido da história da indústria fonográfica brasileira.

Aí o RPM estourou de vez. O sucesso foi tão alucinante que a banda teve que fazer mais de 300 shows em pouco mais de um ano. Com o mega-sucesso, veio a guerra de vaidades (principalmente entre Paulo Ricardo e Luiz Schiavon, os líderes da banda) e as drogas. A banda acabou se desfazendo, e a descida foi tão intensa quanto a subida. Ainda gravaram mais um álbum, chamado “Quatro coiotes”, mas que era muito inferior aos álbuns anteriores em qualidade. Paulo Ricardo ainda tentou voltar com a banda sem Schiavon (“Paulo Ricardo & RPM”), mas não fez mais tanto sucesso.

Em 2002 a banda voltou com a sua formação original, e lançou o Acústico MTV com os antigos sucessos. O álbum vendeu mais de 300 mil cópias e o RPM fez um bom sucesso novamente. Mas PR e Schiavon novamente brigaram, e a banda se desfez novamente. Diz-se que Paulo Ricardo tentou registrar a marca “RPM” em seu nome em segredo…

Em 2011, para o bem do rock nacional, Paulo Ricardo anunciou a gravação de um álbum de inéditas do RPM, o que marca a volta da banda. O grande desafio do RPM, principalmente de Paulo Ricardo e Luiz Schiavon, é se manterem unidos quando e se o sucesso vier novamente. Porque eles precisam do RPM, o RPM precisa deles, e o rock nacional precisa do RPM. Todos aguardamos ansiosamente o retorno da revolução.

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