Coadjuvante de luxo

Schumacher voltou à Fórmula 1 e cometeu o maior erro de sua carreira

Michael Schumacher é o maior piloto da história da Fórmula 1. Pelo menos nos números: 7 títulos mundiais (dos quais 5 foram consecutivos, e pela equipe mais querida do mundo, a Ferrari), 91 vitórias, 68 pole-positions, 154 pódios, e tantos outros números impressionantes. Depois da morte de Ayrton Senna, reinou absoluto como o melhor piloto da F1, com muita sobra, tendo vencido mais da metade dos campeonatos que disputou. Os campeonatos que Schumacher perdeu foram devido à inferioridade de seu carro nessas temporadas. Em 2006, se aposentou sem nunca ter tomado tempo de nenhum companheiro de equipe em sua longa carreira, com uma excelente última temporada, tendo lutado pelo título até a última corrida. Foi muito homenageado, e se tornou “o cara” na mente de muitos fãs nascidos da década de 1990 para cá. Foi o encerramento de uma carreira praticamente perfeita.

Aí Schumacher resolveu voltar a correr. Assinou em 2009 com a Mercedes para fazer dupla com Nico Rosberg, e todos esperavam que o alemão voltaria novamente a ocupar as primeiras posições, a duelar com Hamilton, Alonso e cia… Para a decepção e surpresa de muitos, não é o que está acontecendo: Em 2010, pela primeira vez na carreira, tomou tempo do companheiro de equipe, e fez uma temporada apagada. Não que esteja guiando mal, mas está longe, bem longe, do Schumacher dos velhos tempos.

Em uma entrevista, o alemão até tentou justificar o seu desempenho abaixo da expectativa: “Para a minha idade, eu estou guiando muito”. Apesar de esta frase não ser falsa, ela levanta algumas questões interessantes: Será que Schumacher sabia ou imaginava que não conseguiria andar nas primeiras posições? Será que ele imaginava que poderia tomar tempo do companheiro de equipe? Se sim, por que então ele voltou? Se sim, será que ele quereria correr na F1 apenas pelo dinheiro, ou por correr?

Eu acho que a resposta para todas estas perguntas é “não”. Schumacher voltou à F1 porque achava que poderia voltar a vencer, e cometeu o maior erro de sua carreira. Evidentemente o seu desempenho atual não apaga tudo o que o alemão conseguiu na sua carreira. Mas toda aquela mística que o cercava, de “o cara”, de “imbatível”, de “é o melhor”, está sendo abalada a cada corrida que passa. O “é” de “é o melhor” está sendo trocado pelo “foi”.

É uma pena, mas às vezes eu até esqueço que ele corre na F1. Atualmente, o alemão nada mais é do que um coadjuvante de luxo na F1. Ao final de sua carreira, os seus anos de Mercedes serão lembrados como um pequeno monte de lama jogado em uma carreira brilhante que tanto lutou para construir.

Michael Schumacher pilotando a Mercedes

Uma resposta para “Coadjuvante de luxo”

  1. André S. Melo Disse:

    A F1 mudou muito nos 3 anos que Shumarcher ficou parado. E ela muda todo ano. Este ano (2011) a grande mudança além da asa traseita e o kers, são os pneus que se desgastão muito rápido. Três voltas já faz uma grande diferença no desgaste dos pneus. Eu acho que o Shumarcher não esperava que sua adaptação à nova F1 seria tão dura.

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