“Há exatos 20 anos, Ayrton Senna fazia história e conquistava o seu terceiro e último título mundial”
Uma das imagens mais marcantes de Ayrton Senna, para mim, é aquela em que ele está no pódio se banhando de champanhe, segurando a garrafa de cabeça para baixo, logo acima de sua cabeça. Outra imagem extremamente marcante, talvez até um pouco mais do que essa, foi aquela em que ele estava dentro do carro sendo atendido, logo depois de ter vencido o GP do Brasil de 1991. Lembro que estas foram imagens que passaram muitas vezes na TV, no finalzinho daquele ano de 1991. A expectativa geral naquela época, depois de Ayrton ter se sagrado tricampeão (o mais jovem tricampeão da história até então), era a de que ele alcançaria o recorde de 5 títulos mundiais, pertencente a Juan Manuel Fangio (que era, até então, o piloto com maior número de títulos em toda a história da F1).
Muitos críticos de Senna deblateram que ele venceu os seus 3 títulos mundiais com o melhor carro do grid em todos os 3. Mas o fato é que Ayrton conquistou o seu terceiro campeonato sem o melhor carro. Ou seja, foi campeão no braço. A prova disso é a dificuldade de Berger (companheiro de Senna na Mclaren) em acompanhar as Williams de Mansell e Patrese, logo nas primeiras etapas do mundial. As vitórias de Senna nas 4 primeiras corridas foram um misto de supremo talento, e sorte, com as trapalhadas da Williams nas primeiras etapas. O que não diminui, de jeito nenhum, o mérito da conquista de Senna.
Ayrton conquistou vitórias nas 4 primeiras corridas (incluindo aquela vitória histórica no GP do Brasil de 1991, em que venceu guiando apenas com a 6a marcha nas últimas voltas), mas o restante da temporada foi bem difícil. Com um carro mais equilibrado e que tinha câmbio automático, Mansell conquistou 5 vitórias, e Patrese ganhou outras duas. Em um dado momento da temporada, Senna parecia não ter mais chances de lutar pelo campeonato, mesmo estando na liderança. Aí, na Hungria, Senna venceu a corrida e voltou a sonhar com o campeonato. Até o título consagrador no Japão, no dia 20/10/1991. Isso tudo sem o melhor carro do grid.
Ayrton perseguia o recorde de Fangio de 5 títulos mundiais. Se sua carreira tivesse continuado, dificilmente ele deixaria de alcançar esta marca. O seu terceiro título mundial foi o último de um país que, após a sua morte, até hoje carece de gênios das pistas.