A noite verde-e-amarela (que não veio)

Setembro 30, 2008 por samuellincoln

Pela primeira vez na história, um Grande Prêmio da Fórmula 1 foi disputado à noite. E o quadro, para a torcida brasileira, era animador: Depois de uma pole fantástica no Sábado noturno de Cingapura, quando botou 6 décimos em cima de Hamilton, Felipe Massa tinha tudo para vencer e assumir a liderança do mundial (eu já conseguia imaginar, pela primeira vez, o gostinho especial de ouvir o tema da vitória sendo tocado ao fim de um GP à noite). Seria a sua 6ª vitória no ano, um feito que um piloto brasileiro não consegue há 17 anos (Ayrton Senna venceu apenas 3 corridas em 1992). Mas o que se viu, no Domingo, foi desanimador: Um erro bobo no primeiro pit-stop com a mangueira do reabastecimento, uma precipitação do “homem do pirulito”, uma vitória importantíssima jogada fora, e quem sabe o campeonato também. São 7 pontos de diferença para Hamilton, faltando apenas 3 corridas para o fim da temporada.

A vantagem de Lewis Hamilton é significativa. Ele não precisa mais vencer nenhuma corrida em 2008. Três segundos lugares são o suficiente para garantir o título, independente dos resultados de Massa. Some a isto o fato de haver boas chances de chuva em Fuji e Shangai, o que favoreceria, e muito, ao inglês, já que Felipe Massa não anda bem na chuva. Em outras palavras, o blogueiro não acredita que Hamilton perca o título. Ok, há quem lembre dos 17 pontos de vantagem que Hamilton tinha para Kimi Raikkonen em 2007, quando faltavam duas corridas para o final. Ali, no entanto, foi uma combinação fortuita de fatores, uma dádiva dos deuses do gelo, ocasionada pelos erros fatais de Hamilton e pelas vitórias de Kimi nas duas últimas etapas. Agora é diferente: Hamilton não é mais estreante, não tem mais Alonso na equipe para incomodar, e está bem mais maduro como piloto. Eu acho extremamente improvável que Lewis jogue fora o título de 2008 como jogou o de 2007. E se a Mclaren tiver uma quebra em alguma das próximas 3 provas? É possível que aconteça, mas eu não creio.

Felipe tinha que ganhar este campeonato. Ele está tendo a melhor oportunidade de sua carreira em 2008, oportunidade esta ainda melhor do que a de 2007, um ano em cujo início todos apostavam fortemente no brasileiro. É uma pena que as chances diminuam consideravelmente por causa de um erro que não foi dele.

Atuação de gala

Setembro 21, 2008 por samuellincoln

Em Novembro de 2006, fiz um trabalho para o meu curso de Inglês contando a história da Fórmula 1. Falei sobre os principais pilotos, os campeões, as temporadas, e etc. No trabalho (escrito em inglês, lógico), eu dediquei uma seção (a última) para falar sobre os futuros talentos da Fórmula 1. Na seção, citei Lewis Hamilton, Heikki Kovalainen e Nelsinho Piquet como alguns dos principais nomes para o futuro. Mas aquela que considerei a maior promessa de todas, uma promessa monumental, foi um jovem piloto alemão, que na época tinha 19 anos de idade. Quem ele é? Falarei dele no próximo parágrafo.

Sebastian Vettel foi absolutamente espetacular em Monza. O piloto, aos 21 anos de idade, se tornou o mais jovem pole e vencedor de uma corrida na Fórmula 1. Num fim de semana em que os principais concorrentes ao título (Hamilton e Massa) foram muito mal na classificação, valeu o incrível talento do piloto alemão para desbancar as poderosas Ferrari, Mclaren, Renault e BMW, guiando uma modestíssima STR (Toro Rosso), tanto na classificação quanto na corrida.

Vettel começou a chamar a minha atenção nos treinos livres para o GP da Turquia de 2006 (o GP da primeira vitória de Felipe Massa), quando foi o mais rápido do dia com uma BMW, desbancando Schumacher, de Ferrari, e Alonso, de Renault. Um outro detalhe que chamou ainda mais a minha atenção era que ele mal conhecia o circuito turco. Como podia alguém aprender o traçado de um circuito tão rápido, e ainda desbancar Schumacher e Alonso com carros superiores? Talento é a resposta.

Flávio Gomes, no seu blog, afirmou que a atuação de Vettel em Monza foi uma façanha tão grande ou até maior do que, por exemplo, a de Ayrton Senna no GP de Mônaco de 1984, e isto causou a ira de muitos fãs de Ayrton. Sou fã de Senna, mas concordo com Flávio. Coloquem esse moleque em um carro de ponta, e tenham certeza: Ele será campeão.


Sebastian Vettel, comemorando a vitória fantástica no já histórico GP da Itália de 2008, depois de uma atuação de gala

Quase número um

Agosto 25, 2008 por samuellincoln

A vitória de Felipe Massa no GP da Europa, em Valência, tem vários significados especiais. Não só o brasileiro se tornou o primeiro vencedor da história do circuito de Valência na F1, como também se igualou ao quarto maior vencedor brasileiro da história da F1, Rubens Barrichello. Agora são 9 vitórias para cada um. De quebra, Massa deixou para trás a frustração da corrida anterior, na Hungria, quando teve uma largada espetacular, assumiu a ponta, e deixou de vencer e pontuar por causa de um motor quebrado. Além disso, Felipe se aproximou de Hamilton na pontuação em 2 pontos, ficando a apenas 6 pontos do inglês.

No entanto, a vitória de Felipe em Valência tem um significado ainda maior: Esta vitória o torna favoritíssimo ao posto de primeiro piloto da Ferrari. Massa soma 64 pontos no campeonato, 7 à frente do seu companheiro de equipe, o atual campeão de F1. É uma diferença pequena se considerarmos que ainda faltam 6 corridas para acabar o campeonato. No entanto, nas 3 últimas corridas, o brasileiro demonstrou uma superioridade considerável em relação a Kimi. Na Alemanha, Felipe chegou em terceiro lugar, Raikkonen em 6°. Na Hungria, não fosse pela quebra de motor de Felipe Massa a 3 voltas do fim, e pelo furo de pneu de Lewis Hamilton, Massa seria o vencedor da corrida, e Kimi chegaria em 5° (com os problemas de Hamilton e Massa, Raikkonen chegou em terceiro na Hungria). Na última corrida, o brasileiro venceu de ponta a ponta, com Hamilton em segundo, e Kimi fora dos pontos (também com um motor quebrado). Kimi estava na 5ª posição quando o seu motor quebrou.

Kimi Raikkonen, por ser o atual campeão e já ter superado Felipe Massa ano passado, ainda não pode ser descartado da briga. Mas se Massa mantiver a superioridade das 3 últimas provas, em poucas corridas abrirá uma vantagem significativa em relação a Kimi Raikkonen, e trará as atenções da equipe para si (pelo menos por esta temporada). E se Felipe se tornar o número um nesta temporada, mesmo que ele não seja campeão, já terá outro fato notável na sua carreira: Terá andado na frente de dois campeões mundiais (Jacques Villeneuve e Kimi Raikkonen).

Indiana, 19 anos depois

Agosto 14, 2008 por samuellincoln

Quase três meses depois da estréia do quarto filme da tão festejada e idolatrada série Indiana Jones, resolvi dedicar um post só ao filme. Foram 19 anos de espera por “Indiana Jones e o reino da caveira de cristal” desde o lançamento do terceiro filme no cinema em 1989 (o magnífico “Indiana Jones e a última cruzada”, tido como o melhor filme da série pela maioria dos fãs). E as opiniões foram divididas.

Quando se fala em Indiana Jones, sempre se espera um filmaço. Daqueles com caça a tesouros bíblicos milenares, cenas de ação, luta contra forças nazistas… Tão presentes estes elementos estiveram nos três primeiros filmes, que se tornaram características quase indispensáveis de um bom filme da série. Em outras palavras, quando os fãs lembram de Indiana Jones, não há como não lembrar dos elementos citados. Assim, o que dizer do quarto filme da série? Do mesmo modo que o filme agradou uma legião de fãs, desagradou profundamente outro grande grupo de fãs. O fato é que o filme é muito bom, Shia La Beouf foi muito bem e Harrison Ford interpretou Indy com o mesmo brilhantismo dos outros 3 filmes (Karen Allen também foi muito bem interpretando Marion Williams).

O que causou estranheza em muitos fãs de Indiana Jones IV é que ele é muito diferente dos outros três, muito mesmo (diferente até do que o seu cartaz sugeria, que o filme seguiria a linha dos 3 primeiros). Para começar, Harrison Ford está quase 20 anos mais velho do que em Indiana Jones III. Assim, para adaptar a idade de Ford ao quarto filme da série, a época em que se passava o filme teve que ser adiantada para os anos 50. Portanto, a luta não poderia mais ser contra os nazistas, dado que a segunda guerra mundial terminou em 1945. Neste filme então, Indy e seu filho (Shia La Beouf) lutaram contra os agentes soviéticos. Outra diferença significativa foi o tipo de tesouro atrás do qual Indy foi. Comparando com os tesouros bíblicos de Indiana Jones I e III (a Arca da Aliança e o Santo Graal), o Crânio de Cristal deu um desenrolar muito diferente ao enredo do quarto filme. Assim, a aparição dos extraterrestres no final foi o que mais desagradou os fãs. E exatamente por ter modificado os elementos mais característicos dos três primeiros filmes (que citei no parágrafo anterior), “O reino da caveira de cristal” não foi uma unanimidade, como o seu antecessor “A última cruzada”. Acabou deixando Indiana Jones IV um pouco sem a cara de Indiana Jones.

A boa sensação é que me parece claríssimo, diante do que foi o quarto filme, que haverá outro filme de Indiana Jones, ou até outros, no plural. A cena emblemática do final do filme, quando o chapéu de Indy voa e o seu filho Mutt (Shia La Beouf) tenta colocá-lo (mas não consegue, pois o seu pai o pega de volta), deixa um gostinho não só de continuidade da série, como também de uma passada de bastão de Harrison Ford para Shia La Beouf. Assim, nos próximos filmes da série, Shia deverá ser o protagonista, o novo Indiana Jones. Arrisco até um palpite sobre um possível Indiana Jones V: Ford e La Beouf serão, os dois, protagonistas, e este filme será a verdadeira transição entre o protagonista dos 3 primeiros filmes (Ford) e o protagonista dos futuros filmes (La Beouf) (quem sabe até, no cartaz do próximo filme, as imagens dos rostos de Indy e Mutt estejam do mesmo tamanho e sugiram que ambos serão, juntos, protagonistas de Indiana Jones V). Lucas e Spielberg deverão dar ao novo filme um tom mais parecido com os antigos Indiana Jones, e isto deverá agradar aos fãs e aos críticos. Ainda lanço outro palpite: Henry Jones Junior (Harrison Ford) morrerá no final do quinto filme. E assim, no final, Mutt colocará o chapéu na cabeça e será o novo Indy. As conseqüências da mudança de protagonista poderão ser tema para um futuro post, caso as minhas expectativas se concretizem.

De qualquer modo, muitos fãs de Indiana Jones, como eu, nunca haviam tido a oportunidade de ver o seu herói no cinema. E independente de o filme ter agradado ou não, tenho certeza que, para estes fãs (eu incluso), a experiência de ter visto Indy no cinema pela primeira vez foi fantástica.

Na liderança

Junho 23, 2008 por samuellincoln

“22 anos depois um brasileiro vence na França!!!!!!!!!!!”

“15 anos depois um brasileiro lidera o campeonato mundial novamente!!!!!!!!”

As palavras do locutor Galvão Bueno (na verdade foram 23 anos depois que um brasileiro venceu na França) sintetizam o assunto de um post que eu tanto quis escrever no ano passado, mas que infelizmente não tive a oportunidade. E hoje, dois meses depois do meu último post, quando eu menos esperava, estou aqui para escrever sobre a liderança de um brasileiro na Fórmula 1. Como torcedor de Felipe Massa e dos pilotos brasileiros, eu não poderia querer coisa melhor.

Massa vive de longe o melhor momento da sua carreira. O brasileiro tem 48 pontos, contra 46 de Kubica, 43 de Raikkonen e 38 de Hamilton. Para quem não tinha sequer um pontinho nas duas primeiras rodadas do campeonato, apesar da baita sorte nas duas últimas corridas, é uma recuperação incrível. A liderança de hoje dá a Felipe uma chance ainda melhor do que a do ano passado de ganhar o título mundial.

Na França, Kimi largou na pole-position, e Massa em segundo. Tudo caminhava para mais uma dobradinha da Ferrari com as mesmas posições do grid, mas o finlandês teve um problema com o escapamento do carro, e perdeu performance do meio pro fim da corrida. Assim, Felipe não perdoou. É a terceira vitória do brasileiro (já igualando o número de vitórias dele no ano passado) numa temporada que já está marcada pelos erros bobos dos pilotos que disputam o título (Massa na Austrália e na Malásia, Hamilton no Bahrain e no Canadá, e Raikkonen em Mônaco). A corrida também teve a ótima performance de Nelsinho Piquet, que segurou Hamilton por várias voltas, e ainda chegou na frente do bicampeão Fernando Alonso. Um ótimo resultado para o jovem Piquet, que já não conseguia mais enxergar uma luz no fim do túnel (se Nelsinho se sair bem em Silverstone, certamente no mínimo ficará até o final da temporada, independente de como se sair nas outras corridas).

Antes de dizer que Massa é favorito ao título mundial (contrariando o que eu havia escrito no post “Rápido, porém limitado”), vou esperar pelo GP da Inglaterra, em Silverstone, daqui há 15 dias. Lá, em 2007, Kimi foi consideravelmente superior ao brasileiro. Se nesse GP Felipe conseguir andar na frente do finlandês, aí eu volto a acreditar de verdade que poderemos ter um brasileiro campeão novamente. Para o bem do torcedor brasileiro que ama a Fórmula 1.

Felipe Massa, agora líder da temporada de 2008 da F1

Um ano

Abril 27, 2008 por samuellincoln

Hora de apagar as velinhas! Este blog completa um ano HOJE! É isso mesmo que você acabou de ler, caro leitor. Aqui, vou falar um pouco sobre como surgiu a idéia de escrever um blog sobre vários temas, como F1 (principalmente), Futebol, e outros assuntos.

Tudo começou após eu me tornar leitor assíduo das colunas Warm Up, do Flávio Gomes. Sobre que assunto são as colunas? Sobre Fórmula-1, é lógico (tinha que ser sobre isto…)! Me tornei fã das colunas do Flávio de tão bem escritas que eram, e depois de tanto lê-las, acabei assimilando por osmose o estilo de escrita e uma boa parte da maneira de pensar dele. Com isto, surgiu o desejo de criar um blog… E foi baseado no meu tema preferido que escrevi, há exato 1 ano, meu primeiro post, “A esperança verde-e-amarela”. O post era sobre as chances de título que o Brasil teria em 2007 na F1, com Felipe Massa. O título não veio, e dificilmente virá enquanto Felipe for o brasileiro com as melhores chances… Mas e daí?

Após “a esperança verde-e-amarela”, vieram muitos outros posts, a maioria sobre F1, e mais alguns sobre Futebol, Informática, e etc. Até o momento, são 38 no total, incluindo este.

Eu realmente não esperava me empolgar tanto com o blog quanto me empolguei… E espero continuar assim ainda por muito tempo! Aos fiéis leitores, muito obrigado pela “audiência” ;D

O que mais repercutiu

Abril 24, 2008 por samuellincoln

Há quase um mês, a imprensa e a sociedade brasileira vivem um momento de histórica indignação com a morte brutal da menina Isabela Nardoni. Em mais de 20 dias de cobertura intensa pela TV, o caso parece caminhar para um desfecho. Há fortes indícios de que Isabela foi esganada e jogada do 6°andar. E os principais suspeitos do crime são Alexandre Nardoni (o pai da menina) e Anna Jatobá (madrasta da menina).

Há crimes que a sociedade não perdoa, e a idéia de que um pai pode ter assassinado a própria filha de maneira tão violenta causa uma intensa (e compreensível) revolta nos cidadãos brasileiros. Há poucos dias, eu defendia a tese de que a imprensa deveria se manter longe do caso, a fim de não correr o risco de induzir a sociedade a pré-julgar pessoas contra as quais não haviam provas, e danificar de maneira irreversível a imagem delas. Mas depois de a polícia ter indiciado Alexandre Nardoni (o pai da menina) e Anna Jatobá (a madrasta da menina), com o interrogatório de ambos, pareceu eliminar as poucas dúvidas que haviam sobre os assassinos. Apesar de não existirem provas concretas (até o momento), há indícios muito contundentes de que Alexandre e Anna foram os únicos participantes do crime, e todos os indícios apontam para ambos como assassinos. De posse disto, e da entrevista de ambos à Rede Globo, dá para afirmar com 99,999999(e bote nove nisso)% de certeza de que os assassinos são mesmo Alexandre e Anna. Não há como não pensar que foram eles.

A entrevista que Nardoni e Jatobá deram à Rede Globo foi polêmica. Alexandre negou as acusações contra ele e Anna, e falou que se emocionou ao ver a filha no velório. Palavras dele: “deu vontade de entrar no caixão pra ficar com ela”. Num dos muitos programas sobre o caso na TV, questionou-se o comportamento de Alexandre e Anna, que sequer se olharam durante a entrevista. Um psicólogo, no programa, observou uma atitude sutil de Alexandre, quando este tentou ajeitar a manga da camisa. “Um pai que teve a filha assassinada de maneira tão brutal teria a preocupação de ajeitar a manga da camisa?”. Outra atitude observada do pai foi o olhar. “Quando falava da filha, Alexandre parecia incomodado e virava os olhos o tempo todo”.

O caso Isabela é mais um entre tantos outros que repercutiram, como o de Felipe Caffé e Liana Friedenbach (assassinados pelo Champinha, que estuprou e violentou Liana), e de Suzane Richthofen, que matou os próprios pais. Não hesito em dizer, porém, que o caso Isabela foi o que mais repercutiu (e ainda repercute) dentre estes, e já entrou para a história da TV brasileira. Porque um pai matar a filha de uma maneira tão fria e violenta é o crime mais cruel que existe. Pior do que um casal que é assassinado. Pior do que uma filha que mata o pai.

Em relação à entrevista dada por Alexandre e Anna, o que o blogueiro que vos fala acha? Que nenhum dos dois convenceu. Destaco a frase de Alexandre: “Deu vontade de entrar no caixão para ficar com ela”. Se eu tivesse uma filha e ela fosse morta daquele jeito, diria: “Meu sonho era tê-la viva aqui comigo e dar um abraço bem forte nela”.

9 2 9 3 7 0 9… D13!

Abril 17, 2008 por samuellincoln

“Subúrbio de Paris, 2013. Ninguém consegue controlar o 13º Distrito. A polícia tenta aprender como fazer isto. Dois jovens heróis, nascidos quando aquilo se tornou uma terra de ninguém e lutando contra um governo repressor, têm 24 horas para entrar e salvar o que se tornou um local violento e fora de controle.”

Confesso que quando liguei a TV e o DVD-player, não sabia qual seria o teor do filme “13° distrito”. Fui recomendado por uma amiga (de muito bom gosto) a assistir ao filme. Assim que começou, a primeira impressão que tive foi: – Ah, esse aí é mais um daqueles filmes chatos sobre drogas e violência, sem enredo e originalidade alguma. “A minha amiga gosta disso aí?”, indaguei. As cenas iniciais mostram uma máfia barra pesada (que possuía um verdadeiro arsenal de armas) tentando invadir um prédio para pegar um jovem cujo nome é Leito. Este, nervoso e com muito medo, tenta desesperadamente se livrar de vários pacotes de drogas, rasgando-os e jogando o conteúdo numa banheira com água. Com 8 minutos e pouco de filme, a máfia consegue chegar ao apartamento de Leito. Pensei: “Agora ele se lascou”. Me enganei. Numa atitude rápida e digna de um Neo (de Matrix) ou de um Macgyver (de Profissão Perigo), ele pula por cima dos mafiosos e escapa pela janela. “É, acho que o filme não vai ser tão chato assim”, pensei.

O desenrolar do filme coloca um agente policial (cujo nome é Damien) em aliança com Leito, para que ambos desarmem uma bomba que pode destruir todo o subúrbio francês (o 13° distrito). “É, tá ficando legal o filme”, pensei. A bomba havia sido posta em um lugar estratégico, e Damien havia sido convocado pelas autoridades francesas a se infiltrar no perigoso local, fortemente guardado pela máfia (a mesma que foi atrás de Leito nos primeiros minutos do filme). Leito precisava salvar a sua irmã, que havia sido seqüestrada pela máfia e estava junto com a bomba. E aí, depois de muito sangue derramado e uma luta feroz, ambos chegam ao local da bomba. Damien liga para o presidente, e pergunta qual é o código da bomba. A resposta: “9 2 9 3 7 0 9 D13″. É aí que entra aquele que considero o clímax do filme: Leito estranha o “9293″ e o D13 da seqüência (que se referiam ao número do prédio e ao distrito em que a bomba estava, respectivamente), e, com umas deduções básicas, conclui que Damien havia sido mandado para armar a bomba, ao invés de desarmá-la. Mas Damien não acredita, e Leito não vê outra opção a não ser lutar contra ele para que a bomba não seja armada. Quando o timer da bomba zera, vem a melhor parte do filme: Nada acontece, e a bomba simplesmente desliga. E Leito tinha razão. Hora de pedir explicações às autoridades.

Com tudo isso, podemos concluir que o filme faz uma crítica à tão manjada índole das autoridades, que só querem se aproveitar da boa vontade de jovens idealistas para satisfazer os seus interesses, no caso o de destruir o distrito marginalizado de Paris. Um pensamento no estilo: “Lógico, qual seria a solução para que eliminássemos a pobreza e a violência? Jogando uma bomba e destruindo toda a massa pobre… Que idéia genial! Mas precisamos fazer também todos pensarem que somos bonzinhos e não queremos fazer isto… Como? Mandando um jovem herói para supostamente desarmar a bomba! Só que na verdade ele irá armá-la! Perfeito!”. A conclusão é a de que eu já vi este filme, mesmo sem ter visto, se é que o leitor me entende…

Assim, como posso definir o “13° distrito”? Uma palavra é suficiente: Magnífico.

Rápido, porém limitado

Abril 4, 2008 por samuellincoln

Diante das especulações sobre a substituição de Felipe Massa por Sebastian Vettel (e posteriormente por Alonso) na Ferrari, o erro do brasileiro no último GP (o da Malásia) só serviu para alimentar a fogueira. Se a imprensa esportiva em geral (tirando a imprensa brasileira, é lógico) já estava descendo a lenha no brasileiro, agora então nem se fala.

De fato, Massa está mal no campeonato. Duas corridas com o melhor carro do grid (ao lado da Mclaren), e nenhum ponto marcado. Felipe está com um início de temporada pior do que o de 2007, quando foi 6° na Austrália e 5° na Malásia. As críticas, apesar de impiedosas, são justas.

As perguntas que não querem calar são: Felipe Massa é um bom piloto? Ele tem talento para ser campeão? A imprensa especializada fala mais de Raikkonen, Hamilton e Alonso, mas fala pouco de Felipe. Ele é menos piloto do que os outros três? Em caso afirmativo, o que falta a ele? Não há uma única resposta para cada uma destas perguntas, mas podemos clarear as nossas opiniões admitindo algumas constatações que irei fazer ao longo deste post.

De uma coisa pouca gente discorda: Felipe Massa é um piloto veloz. É arrojado, divide com afinco curvas com os seus rivais, anda bem nos treinos livres e na classificação, quase sempre garante um lugarzinho nas primeiras posições do grid, e podemos considerá-lo, por exemplo, tão rápido quanto o seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, que é muitíssimo veloz. “Ah, se o autor do blog afirma que ele é tão rápido quanto um piloto que já foi campeão, então não há como negar que ele também tem talento para fazer o mesmo”, podem pensar. Mas não é bem assim. O brasileiro, apesar de ser muito bom na classificação, não possui um ritmo de corrida consistente (basta lembrar da última corrida, onde ele perdeu a liderança por não ser rápido o suficiente nas voltas antecedentes ao seu primeiro pit-stop), além de não andar bem em todas as situações da corrida. Para ter um bom resultado no fim de semana, Felipe é excessivamente dependente de uma boa classificação. Tanto que as suas 5 vitórias na carreira (até agora) foram largando na pole-position. Como se não bastasse, ele não teve a liderança ameaçada durante nenhuma das corridas que venceu (exceto por um raro momento em que dividiu a primeira curva com Alonso, após a largada do GP da Espanha de 2007). Lewis Hamilton, um de seus rivais, também tem 5 vitórias na carreira (até agora) e venceu apenas largando na pole. Mas Hamilton, em relação a Felipe, é mais decisivo durante a corrida. Em Fuji (no GP do Japão), Lewis largou na frente, mas as condições da pista eram terríveis: Muita chuva, risco de aquaplanagem em determinados trechos, e um festival de rodadas e erros. Em um momento da corrida, o inglês chegou a ficar em 8°, mas a sua pilotagem consistente e segura decidiram a corrida a seu favor. A vitória em Fuji é aquela que considero como a melhor de Hamilton. Por falar em chuva, outro defeito de Massa é não andar bem em pista molhada. Podemos citar como exemplo a corrida de Nurburgring-2007, em que o brasileiro perdeu a liderança para Alonso a poucas voltas do fim, quando começou a chover. Era mais um “pã-pã-pããã” garantido, até a hora da chuva.

Para lutar pelo título com boas chances, Felipe Massa precisa demonstrar mais consistência e segurança nas corridas, além de mais decisão e regularidade nos resultados. E, se depois de dois anos pilotando pela Ferrari ele ainda não demonstrou, é difícil imaginar que ele reverterá este quadro agora. Ele pode até ganhar a próxima corrida, que é no Bahrain (até acredito que há boas chances de isto acontecer), mas tudo nos leva a crer que, se ele conseguir, será 99% por causa de um detalhe: Ele terá largado na pole.

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Felipe Massa: Falta consistência para lutar pelo título

O drama do velho Max

Abril 1, 2008 por samuellincoln

A casa caiu. Max Mosley, presidente da FIA e um dos homens mais poderosos do mundo do automobilismo, foi filmado em orgia sadomasoquista. No filme, Max leva chicotadas de prostitutas vestidas com uniformes de soldados nazistas e acerta as prostitutas com um cinto de couro. Some a isto o fato de terem havido diálogos que fazem clara alusão ao nazismo, e o fato de que Mosley assumiu que era ele o homem que aparece no vídeo.

Pode-se até pensar que isto não alteraria o andamento de sua presidência. Teoricamente, é isto que acontece. De fato, este escândalo não muda em nada a situação de Mosley no poder, pois a vida particular de cada um de nós pertence a ninguém mais do que a nós mesmos, e o inglês não cometeu nenhum crime. Um processo ao jornal “The news of the world”, e tudo estaria resolvido. A F1 poderia seguir em frente, e Max poderia continuar na presidência.

O grande problema é que a imagem pública de Mosley ficou comprometida de maneira irreversível. De agora em diante, qualquer pessoa que olhar para Max lembrará do vídeo. Ninguém mais o respeitará, e ele provavelmente será alvo de piadas e de ódio (quem sabe por parte de judeus). Em outras palavras, ele se queimou. Pense naquela pessoa (talvez o seu professor da faculdade, ou o seu patrão no trabalho) por quem você nutre muita admiração. Uma pessoa de quem você discorda algumas vezes, mas respeita. Agora suponha que você soube que ela fez uma orgia de mal gosto. Você continuará respeitando esta pessoa? Agora se imagine na pele da pessoa admirada. Você conseguiria trabalhar sabendo que todos ao seu redor não o respeitam mais?

Pois é. Por tudo isso que falei, acredito que Max Mosley não vai aguentar ficar na presidência por muito tempo. É uma destruição grande demais. A ponto de nem as centenas de milhões de dólares de sua conta bancária serem capazes de reparar este dano.

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Max Mosley: Queimado para sempre